Adidas revê previsões em alta

No terceiro trimestre deste ano, a empresa alemã alcançou máximos históricos tanto nas receitas, que cresceram 9%, como no lucro operacional, que aumentou 37%, sustentando a melhoria das perspetivas anuais.

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De acordo com os valores preliminares, a Adidas registou receitas de aproximadamente 7,25 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, refletindo um aumento de 9% a taxas de câmbio correntes e de 7% a taxas de câmbio constantes face ao período homólogo do ano passado. Já o lucro operacional atingiu cerca de 1,01 mil milhões de euros.

Durante o trimestre, a Adidas recebeu a maioria dos reembolsos relativos a tarifas aduaneiras aplicadas pelos EUA, num montante de cerca de 200 milhões de euros. Segundo a empresa, este valor «contribuiu para a melhoria da margem bruta», juntamente com «as vendas sólidas a preço integral, enquanto a evolução desfavorável das taxas de câmbio teve um impacto negativo».

«À luz desta forte evolução da rentabilidade, a adidas decidiu reinvestir cerca de 100 milhões de euros no quarto trimestre em iniciativas que permitam uma maior vantagem operacional no futuro, em linha com as suas metas de rentabilidade a médio prazo já comunicadas», refere a empresa em comunicado.

Na sequência dos resultados acima das expectativas, a Adidas mantém a previsão de crescimento anual das receitas entre 9% e 10% a taxas de câmbio constantes, mas antecipa agora uma rentabilidade superior à anteriormente prevista, que deverá acrescentar cerca de 100 milhões de euros ao lucro operacional.

Considerando também os 200 milhões de euros dos reembolsos tarifários e o reinvestimento no próximo trimestre, a Adidas antecipa um lucro operacional anual de cerca de 2,5 mil milhões de euros, face aos 2,3 mil milhões de euros estimados previamente.

A Bloomberg indica que a estratégia comercial da Adidas passa também por dar maior autonomia às equipas locais, para que identifiquem rapidamente tendências e adaptem a oferta aos consumidores de cada mercado. Esta abordagem tem permitido à empresa alemã vender grande parte do calçado e vestuário a preço integral, enquanto concorrentes como a Nike recorrem a descontos. O setor dos artigos desportivos continua, contudo, a enfrentar incertezas relacionadas com as tarifas aduaneiras, a confiança dos consumidores e o possível abrandamento do crescimento do mercado de sapatilhas após a expansão registada no período pós-pandemia.

Bjørn Gulden, presidente executivo da Adidas, destaca que «o investimento e a criatividade no nosso marketing geraram entusiasmo em torno da marca e voltaram a tornar-nos uma marca atraente a nível global. O nosso investimento na inovação está a dar frutos, não só através de grandes vitórias, histórias e desempenhos, mas também com um crescimento forte e rentável nas áreas do futebol, da corrida e do treino», enquanto as novas coleções de vestuário registam uma procura global elevada e estão atualmente a impulsionar o segmento de moda casual.

O presidente executivo da Adidas reconhece, contudo, dificuldades na linha de calçado casual, que atribui sobretudo ao excesso de inventário e aos descontos excessivos no mercado, manifestando a expectativa de que a situação normalize em breve. «Neste contexto, não estamos a tentar maximizar o curto prazo. Em vez disso, mantemos a disciplina, continuamos a reforçar as bases para um crescimento sustentável e rentável e permanecemos focados nos nossos objetivos de médio prazo», afirma.