Kering estabiliza vendas com Gucci em queda

No terceiro trimestre de 2026, o grupo francês manteve as receitas estáveis face ao período homólogo do ano passado, apesar da quebra de 1% na divisão de moda e artigos em pele, penalizada pelo desempenho da Gucci.

[©Gucci]

O Kering totalizou 3,35 mil milhões de euros nos três meses compreendidos entre julho e setembro, em comparação com os 3,33 mil milhões de euros alcançados no terceiro trimestre do ano passado, mantendo as receitas estáveis em termos reportados, embora verifique uma descida de 1% numa base comparável.

Na divisão de moda e artigos em pele, responsável por 82% do volume de negócios, as receitas totalizaram 2,74 mil milhões de euros, menos 1% em termos reportados e menos 3% numa base comparável. Excluindo a Gucci, as vendas a retalho nas lojas próprias cresceram 2%, impulsionadas pela Saint Laurent, Bottega Veneta e Brioni.

A Gucci gerou receitas de 1,29 mil milhões de euros entre julho e setembro, uma diminuição de 4% em termos reportados e de 6% numa base comparável. De acordo com o grupo francês, o desempenho refletiu «uma base de comparação mais exigente e um efeito menos acentuado da introdução de novos produtos do que no segundo trimestre. Embora o tráfego nas lojas tenha continuado a ser o principal obstáculo, a taxa de conversão, o preço médio e o valor médio da compra registaram novas melhorias, apoiados pela introdução progressiva de novas coleções».

Na rede de lojas próprias da Gucci, incluindo o comércio eletrónico, as vendas recuaram 9% numa base comparável. A América do Norte foi o mercado mais resiliente, enquanto a redução do tráfego penalizou o desempenho na região Ásia-Pacífico, em particular na China continental e no Japão. Em contrapartida, as receitas do canal grossita aumentaram 35% numa base comparável. A estratégia de recuperação da Gucci inclui reduções de preços num número limitado de produtos, segundo Armelle Poulou, diretora financeira do Kering, citada pela Bloomberg.

A Saint Laurent beneficiou da evolução positiva da América do Norte e da Europa Ocidental, enquanto a Bottega Veneta registou um «desempenho favorável nos principais mercados», apoiada pela procura de artigos em pele e pela introdução de novos produtos. A Brioni manteve um crescimento expressivo, sustentado pela «relação personalizada com os clientes» e pela oferta de vestuário por medida. A Balenciaga, por sua vez, «apresentou resiliência nos artigos em pele», mas continuou condicionada nas categorias de vestuário e calçado. A Alexander McQueen prosseguiu o reposicionamento da marca e a reorganização da sua rede de distribuição.

A divisão de joalharia alcançou receitas de 239 milhões de euros, um aumento de 12% em termos reportados e de 11% numa base comparável. Já a Kering Eyewear faturou 373 milhões de euros, mais 6% em termos reportados e 4% em termos comparáveis, com crescimento em todas as regiões.

Receitas acumuladas recuam

Nos primeiros nove meses de 2026, o Kering obteve receitas de 10,57 mil milhões de euros, menos 2% em termos reportados, mantendo-se estáveis numa base comparável. No mesmo período, o grupo encerrou 128 lojas e abriu 23, reduzindo a sua rede em 105 unidades. Assim, o grupo ultrapassou antecipadamente o objetivo inicial de reduzir a rede em 100 lojas em 2026 e prevê agora uma redução de pelo menos 125 lojas até ao final do ano.

«As receitas do terceiro trimestre refletem a distribuição temporal que antecipámos, num contexto macroeconómico mais desfavorável. A recuperação da Gucci continua a ser a nossa prioridade fundamental. Estamos a reforçar de forma constante a atratividade da marca e a avançar com o desenvolvimento dos nossos produtos a um ritmo acelerado», afirma Luca de Meo, diretor executivo do grupo francês de luxo.

Para o conjunto de 2026, o Kering mantém o objetivo de «melhorar a sua margem operacional recorrente em 2026, apoiada pelas medidas de eficiência em curso, mantendo simultaneamente um forte investimento na atratividade das suas marcas».