A mudança integra uma estratégia destinada a promover práticas agrícolas regenerativas, melhorar a saúde dos solos, aumentar a resiliência dos ecossistemas e apoiar os rendimentos dos agricultores, indica a Better Cotton Initiative (BCI). Para concretizar estes objetivos, a organização reforçou os requisitos aplicáveis aos produtores, a formação e os mecanismos de avaliação dos impactos ambientais e sociais.
As alterações introduzidas nos princípios e critérios da BCI exigem agora que os agricultores participantes adotem práticas agrícolas regenerativas adaptadas às condições locais e estabeleçam objetivos de melhoria contínua em indicadores ambientais e sociais. A organização ajustou também os mecanismos de investimento nas explorações agrícolas, formação, verificação e medição de impacto que, em conjunto, «reforçam a capacidade da BCI de alcançar resultados regenerativos», afirma a organização.
Para as marcas, retalhistas e fornecedores, o sistema pretende disponibilizar um instrumento para definir e cumprir metas de aprovisionamento de algodão regenerativo. «A nossa transição para um sistema assente em critérios de produção regenerativa visa desbloquear uma tripla vantagem para a natureza, os agricultores e a indústria. Quando a natureza prospera, os agricultores prosperam. E quando os retalhistas e as marcas apoiam essas condições através do seu aprovisionamento e investimento, ajudam a construir cadeias de abastecimento mais resilientes e a garantir o abastecimento de algodão a longo prazo», refere Nick Weatherill, diretor executivo da BCI.
No âmbito desta transição, a BCI adquiriu à Materra a equipa e a tecnologia associadas à plataforma Co:Farm, que permite recolher dados diretamente nas explorações agrícolas de forma mais eficiente e reduzir a carga administrativa dos produtores e dos parceiros responsáveis pela implementação dos programas.
Alia Malik, diretora comercial da BCI, considera que «a Co:Farm é mais do que uma aquisição tecnológica. Estamos a investir na infraestrutura necessária para apoiar a agricultura regenerativa e a transparência que o mercado exige cada vez mais. Muito poucas organizações conseguem pegar numa inovação comprovada junto de 10.000 agricultores e expandi-la por uma das maiores redes de agricultores do mundo. Combinar a escala e o alcance da BCI com a tecnologia e a experiência da Co:Farm ajudará a fornecer os dados, a visibilidade e a garantia necessários para transformar a ambição regenerativa em impacto».
Um dos projetos associados a esta abordagem é o Gujarat Regenerative Agriculture Project, lançado em 2025 na Índia, em parceria com a H&M. A iniciativa presta formação e apoio a mais de 12 mil agricultores do estado de Gujarat para a adoção ou expansão de práticas regenerativas. No primeiro ano, 1.764 agricultores receberam pagamentos de incentivo e, até à data, o projeto já permitiu integrar 1.700 toneladas de algodão rastreável da BCI na cadeia de abastecimento da retalhista sueca, atingindo 50% da meta inicial.
Progressos ambientais
A BCI publicou o primeiro relatório global de impacto em cinco anos, que reúne nove anos de dados recolhidos no terreno e analisa a evolução dos resultados ambientais e económicos dos agricultores participantes, incluindo após a adoção da certificação.
Segundo o relatório, desde a entrada no programa, 69% dos agricultores – cerca de 818 mil –, reduziram a utilização de azoto sintético por quilograma de algodão produzido. No mesmo período, 65% diminuíram a utilização de substâncias ativas de pesticidas sintéticos por hectare e 54% reduziram a sua pegada de carbono. Nas explorações totalmente irrigadas, 52% diminuíram a água de irrigação aplicada por quilograma de algodão e, entre os pequenos agricultores, 59% melhoraram o rendimento líquido proveniente do algodão.
O documento regista também progressos na participação das mulheres, que passaram a representar 17% dos cargos de coordenação no terreno e de gestão de unidades de produtores a nível mundial, face aos 9% registados há cinco anos.
Apesar dos resultados, a BCI assinala que os progressos na proteção das culturas variam consoante o contexto agrícola, sobretudo quando se comparam pequenas explorações com grandes unidades de produção. Nestas últimas, nomeadamente no Brasil, Austrália e EUA, a redução de pesticidas enfrenta dificuldades, devido a fatores como a elevada pressão de pragas, a gestão de risco em operações mecanizadas e à dependência de produtos químicos e herbicidas em sistemas de sementeira direta.
«A BCI está empenhada na elaboração de relatórios de impacto rigorosos, que inspiram confiança através de conclusões recolhidas, interpretadas e divulgadas com diligência, com base em dados fiáveis e completos. Trabalhando em estreita colaboração com as comunidades agrícolas e os nossos parceiros, temo-nos empenhado em otimizar a recolha de dados e em realizar análises contextuais avançadas dos mais de 20 milhões de registos de dados que recolhemos anualmente. Este relatório constitui um exercício sem precedentes e transformador por parte da BCI, uma vez que representa um primeiro passo para a futura implementação de programas e para um impacto mais profundo, com evidências que sustentam decisões mais bem informadas, baseadas em dados e ações escaláveis», sublinha Iain Gardiner, diretor sénior de impacto e desenvolvimento da BCI.
Na época de colheita de 2024/2025, a BCI apoiou 1,4 milhões de agricultores de algodão, responsáveis pela produção de 6,1 milhões de toneladas de algodão BCI, equivalentes a 23,87% da produção mundial.




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