China acusa PVH de conduta imprópria

No âmbito da investigação iniciada em setembro do ano passado, o governo chinês anunciou ter encontrado evidências de conduta imprópria em relação a Xinjiang por parte da empresa que detém as marcas Calvin Klein e Tommy Hilfiger.

[©PVH]

De acordo com o Ministério do Comércio da China, as conclusões preliminares da investigação mostram que a empresa americana teve uma conduta «imprópria» em relação à região autónoma de Xinjiang. O caso está a ser analisado no âmbito do mecanismo da Lista de Entidades Não Fiáveis, introduzido pela China em 2020.

Segundo um porta-voz do Ministério do Comércio, citado pelo Global Times, está em curso uma investigação detalhada, iniciada em 24 de setembro de 2024, e será realizada uma nova consulta com o grupo PVH antes da conclusão do processo. «A China sempre lidou com a questão da Lista de Entidades Não Fiáveis de forma prudente, tendo como alvo apenas um muito pequeno número de entidades estrangeiras que põem em risco a nossa segurança nacional. As entidades estrangeiras honestas e que obedecem à lei não têm nada com que se preocuparem», referiu.

O grupo PVH está acusado de boicotar produtos de algodão provenientes de Xinjiang sem fundamentos factuais, além de ter interrompido transações comerciais normais com empresas, organizações ou indivíduos chineses. Estas práticas são consideradas uma violação dos princípios de comércio de mercado e levaram à abertura da investigação pelo Ministério do Comércio, segundo a agência noticiosa Xinhua.

O mecanismo da Lista de Entidades Não Fiáveis foi criado pela China para proteger os seus interesses nacionais e o ambiente empresarial. No entanto, apenas em fevereiro de 2023 foi adicionada pela primeira vez uma entidade estrangeira à lista.

A decisão final sobre o caso da PVH será tomada após a conclusão da investigação. Ainda não é evidente se a mesma terá impacto nas operações de retalho da Calvin Klein e da Tommy Hilfiger na China. O anúncio das autoridades chinesas a 16 de janeiro, contudo, levaram a uma queda de 10% das ações.

Ao Just Style, um porta-voz da PVH, sublinhou que «como política da empresa, a PVH mantém um cumprimento rigoroso de toda a legislação e regulamentos em todos os países e regiões onde operamos e em linha com os padrões e práticas estabelecidas na indústria. Estamos a comunicar com o Ministério do Comércio Chinês e vamos responder de acordo com a regulamentação relevante».