Circlo amplia oferta

O projeto de reciclagem têxtil da Pedrosa & Rodrigues, que inclui parcerias com a Sasia, Inovafil, Tintex, Trimalhas e Vilarinho, expandiu o seu portefólio de malhas e avançou para os tecidos, numa altura em que regista um aumento da procura por parte de clientes internacionais.

Mário Ferreira

A Circlo, finalista dos Textile Recycling Awards na categoria de projeto de reciclagem têxtil do ano, alargou a variedade de malhas circulares e passou a disponibilizar também tecidos, numa evolução que, segundo Mário Ferreira, business manager, tem sido acompanhada por melhorias na performance dos materiais. «Hoje em dia, a nossa coleção tem uma variedade que dá para quase tudo», indica ao Portugal Têxtil.

Entre as novidades estão malhas piqué, maior diversidade de ribs e de felpas, incluindo versões cardadas e sem carda, malhas de dupla face e artigos com diferentes gramagens. A evolução inclui ainda a redução da gramagem de algumas estruturas. «Até há um mês, pensávamos que o jersey mais fino e mais leve que conseguíamos fazer era de 150 ou 160 gramas. Agora já conseguimos fazer um 135 gramas», revela Mário Ferreira.

Segundo o business manager, o desempenho das malhas recicladas, produzidas pela Tintex e Trimalhas, também melhorou. «Temos malhas que ultrapassam o limite no teste de rebentamento», acrescentando que, em alguns casos, os materiais reciclados apresentam resultados superiores aos de malhas não recicladas.

Os dois tecidos, desenvolvidos em parceria com a Vilarinho, foram produzidos a pedido de um cliente da Pedrosa & Rodrigues, numa composição de 50% algodão orgânico e 50% algodão reciclado, em duas gramagens. «Acho que agora temos um bocadinho para toda a gente. Essa é a principal evolução», resume Mário Ferreira.

Resíduos pós-consumo

A matéria-prima continua a ser, na sua maioria, composta por resíduos de corte gerados diariamente na Pedrosa & Rodrigues e reciclados pela Sasia, mas a Circlo já integra também vestuário pós-consumo enviado pelos clientes. «Temos clientes que nos mandam peças que saíram mal na cor, no tingimento, e todo esse tipo de coisas, e nós reciclamos as peças», detalha. O processo inclui a separação das peças e dos acessórios, seguindo-se a reciclagem mecânica e a produção de um novo fio, na Inovafil, e de uma malha ou tecido, sendo que o material pode manter o aspeto mesclado resultante da mistura de cores ou ser posteriormente tingido noutra tonalidade. Segundo Mário Ferreira, o posicionamento do projeto assenta em «ser 100% rastreável».

A procura por materiais reciclados aumentou, tanto por parte de clientes da Pedrosa & Rodrigues como de novas marcas. «Alguns clientes que já eram da Pedrosa, nos quais estávamos a tentar introduzir reciclados, mas que não estavam assim muito interessados, de repente começaram a ficar mais interessados», relata Mário Ferreira, acrescentando que «o próximo desafio vai ser conseguir dar resposta a tudo».

A Circlo recebe encomendas de vários mercados, embora o business manager destaque o interesse inicialmente demonstrado pelos mercados nórdicos, seguindo-se o Reino Unido e os EUA, mas afirma que a procura é atualmente muito abrangente.

Apesar desse crescimento, Mário Ferreira revela que a atividade da Circlo ainda representa uma parcela residual do negócio da Pedrosa & Rodrigues.

Investimento e expansão

A empresa admite novos investimentos, nomeadamente numa máquina de menor dimensão para reciclagem mecânica destinada a testes e desenvolvimento. A solução permitiria trabalhar quantidades mais pequenas e testar novas combinações sem necessidade de recorrer a volumes de 20 ou 30 quilogramas.

«Obviamente que para melhorar e para evoluir vamos sempre ter de fazer investimentos, não há hipótese. Mas a maior parte do investimento talvez já esteja feita», reflete o business manager da Circlo, apesar de admitir que possa ser necessário investir mais caso a produção avance para uma escala significativamente superior.

Mário Ferreira reconhece que, até ao momento, a Circlo tem operado com pouca concorrência direta em Portugal, mas sublinha que esse cenário está a mudar. «Agora vamos começar a ter um bocadinho mais de concorrência», pelo que o projeto quer «continuar um bocadinho à frente dos outros para continuar a ter o nome que estamos a começar a ter», assume.

Um ano depois de ter apresentado o projeto na Première Vision, a Circlo voltou a apostar no certame por considerar que «ainda é feira que faz mais sentido a nível de promoção», indica o business manager, avaliando também a participação noutras feiras, incluindo uma em Copenhaga e outra na Alemanha, mas ainda sem decisões definitivas.