Na talk “Inovação e Sustentabilidade na Indústria Têxtil e do Vestuário na Capital Verde”, Carolina Pinto, do departamento comercial da empresa especialista em malhas, defendeu uma abordagem onde produto, identidade e experiência se tornam cada vez mais inseparáveis.
«Hoje o processo de compra envolve muito mais do que apenas adquirir um produto», afirmou. «As pessoas querem saber a história da marca, como o produto foi desenvolvido, qual o seu impacto ambiental e a sua durabilidade», acrescentou
Sob o conceito “Saber. Ver. Criar. Operar.”, a Trimalhas está a apostar numa estratégia que combina know-how técnico, observação das tendências globais e desenvolvimento criativo de produto. A empresa considera que a inovação deixou de estar apenas associada à tecnologia ou à produção e passou também a depender da forma como as marcas comunicam, inspiram e criam ligação emocional com o consumidor.
Por isso mesmo, criou um vídeo, protagonizado pela apresentadora Joana Barrios, que «reflete aquilo em que acreditamos: uma moda consciente, com identidade, cultura, autenticidade e propósito», explicou Carolina Pinto.
A observação do comportamento do consumidor tornou-se uma das principais ferramentas de desenvolvimento da Trimalhas. A empresa acompanha tendências internacionais, participa em feiras, realiza viagens de inspiração e utiliza plataformas de análise de tendências para antecipar mudanças no mercado.
«Inovação é antecipar as necessidades e adaptá-las ao mercado, que está em constante mudança», defendeu a responsável. «O consumidor procura muito mais do que apenas o produto», sublinhou, nomeadamente transparência, responsabilidade, qualidade e propósito.
A criatividade surge igualmente associada ao desenvolvimento de produto. A empresa trabalha atualmente com fibras funcionais e matérias-primas de base biológica, incluindo Umorfil, Sorona, Seacell e tecnologias ligadas ao conforto térmico e bem-estar físico. Produzido a partir de escamas de peixe, o Umorfil está associado a propriedades hidratantes, antibacterianas e ligadas ao conforto da pele. Já a Sorona é uma fibra derivada de fontes renováveis, enquanto o Seacell resulta da incorporação de algas marinhas em fibras celulósicas.
Mas a inovação na Trimalhas vai além da matéria-prima. A empresa está também a recorrer à inteligência artificial para desenvolver apresentações de produto, simulações visuais e campanhas criativas dirigidas às marcas e designers.
«Hoje não basta criar um produto com valor, é preciso comunicar esse valor», sustentou Carolina Pinto. «A inovação cria valor e o marketing comunica esse valor ao mercado», referiu.
Investimentos na sustentabilidade
Ao nível industrial, a empresa continua a investir em tecnologia. Entre os exemplos apresentados estão sistemas de deteção de agulhas partidas através de tecnologia laser, capazes de interromper automaticamente a produção em caso de falha, e novas soluções automatizadas de inspeção de malha acabada para monitorização da uniformidade da cor ao longo do rolo.
Na área de pesquisa e desenvolvimento, a Trimalhas destacou ainda a importância da observação direta dos comportamentos do consumidor em áreas como desporto, streetwear, proteção e bem-estar físico e emocional.
Outro dos pilares estratégicos passa pelas colaborações criativas com designers e artistas como Constança Entrudo, Adrien Michel, David Catalán e Archie Dickens, que segundo a empresa permitem trocar conhecimento. «A inovação também passa pela partilha de criatividade e diferentes visões e ideias», referiu.
A sustentabilidade está ainda presente na estratégia da empresa através da utilização de matérias-primas rastreáveis, reciclagem de materiais, painéis solares, veículos elétricos e projetos de descarbonização – nomeadamente a instalação de uma caldeira de biomassa – em curso na tinturaria adquirida pela Trimalhas no ano passado.
«Inovar é a nossa palavra de ordem há alguns anos», concluiu Carolina Pinto.











