A Pedrosa & Rodrigues fecha 2025 sem crescimento, mas com resultados considerados positivos por Ana Rodrigues, chefe de produto da empresa de confeção de Barcelos. «Contávamos com um abanão neste ano, com uma contração. Mas a verdade é que conseguimos manter os níveis de negócio do ano passado», refere.
A faturação deverá rondar os 15 milhões de euros, em linha com 2024, e para a chefe de produto da Pedrosa & Rodrigues – e segunda geração envolvida no negócio familiar –, «tendo em conta a conjuntura» da indústria têxtil e do vestuário, «sustentar o que já estávamos a fazer» representa um bom desempenho.
No plano estratégico, a principal aposta da empresa é a Circlo, projeto especializado no reaproveitamento dos desperdícios de corte gerados durante o processo de confeção, que são reciclados pela Sasia e dão origem a novas matérias-primas. Embora ainda com um peso financeiro «residual», Ana Rodrigues considera a Circlo determinante para o futuro, sobretudo face às exigências da regulamentação europeia. «As diferentes marcas estão mais ou menos interessadas ou preparadas para esta questão da circularidade. Mas sabemos que algumas delas vão despertar do dia para a noite», explica a chefe de produto da Pedrosa & Rodrigues, acrescentando que a circularidade na empresa «não é um exercício conceptual, é um negócio. Já fizemos encomendas para marcas muito exigentes. Por isso, sabemos que isto é pertinente e que faz sentido». A empresa assume-se como defensora da reciclagem mecânica, rejeitando, para já, processos químicos, «até que um processo limpo esteja disponível».
Emprego, tecnologia e flexibilidade estratégica
Paralelamente, a Pedrosa & Rodrigues tem vindo a investir na modernização tecnológica da fábrica, incluindo soluções logísticas internas que reduzem tarefas repetitivas, como a introdução de um robô. O objetivo, explica a Ana Rodrigues, é libertar os trabalhadores para funções de maior valor acrescentado, uma vez que «é uma pena tremenda usarmos o tempo das pessoas e a sua inteligência em tarefas repetitivas ou não produtivas».
Internamente, Ana Rodrigues aponta a conjugação entre experiência e novas gerações como um dos principais trunfos da empresa, valorizando a troca entre trabalhadores «veteranos e jovens», que promove uma cultura de aprendizagem contínua e adaptação à mudança. A Pedrosa & Rodrigues defende que a introdução de novas tecnologias só é bem-sucedida quando os trabalhadores compreendem o propósito da mudança e os benefícios associados, enquanto incentiva os mais jovens a questionar processos e propor melhorias.
Entre os desafios atuais, destaca-se a necessidade de alinhamento com os clientes, num contexto em que muitas marcas estão a repensar cadeias de aprovisionamento e estratégias de produto, exigindo flexibilidade. A produção em Marrocos, através de fábricas subcontratadas, perdeu peso significativo nos últimos anos, devido à forte pressão sobre os preços e à deslocalização de clientes para geografias ainda mais competitivas. Ainda assim, a empresa mantém equipas próprias de controlo de qualidade no terreno.
Quanto a 2026, num cenário em que «é tão difícil projetar porque o impensável está constantemente a acontecer», a empresa não apresenta metas formais de faturação, sendo a prioridade manter a atividade e salvaguardar os postos de trabalho. «Se mantivermos os níveis do negócio e, sobretudo, se mantivermos os 115 empregos que aqui temos, é um bom ano», sublinha Ana Rodrigues.











