O projeto começou dentro da confeção Pedrosa & Rodrigues como uma solução para dar novo destino aos desperdícios gerados nos processos produtivos. «Levou-nos a pensar numa solução interna de melhoria e otimização do processo. Ou seja, o que é que podemos fazer para rentabilizar aquilo que vai para o lixo, salvaguardar o nosso planeta de consequências maiores no futuro», explica Olga Soares, responsável de desenvolvimento de negócio da Circlo.
Após anos de investigação, testes e desenvolvimento, a Circlo consolidou-se como marca independente, embora continue ligada umbilicalmente à empresa-mãe. «É uma marca da Pedrosa & Rodrigues, porque todos os desperdícios que temos na coleção para já vêm da Pedrosa & Rodrigues. A ideia, contudo, é conseguirmos alcançar outra dimensão, mas para já é uma marca que está a nascer e a crescer com a Pedrosa & Rodrigues», indica.
A Circlo assume como missão transformar desperdícios em novas matérias-primas de qualidade, sendo todos os produtos certificados e desenvolvidos com parceiros locais. «São parceiros certificados, que acreditam naquilo que estamos a fazer e, em conjunto, conseguimos apresentar os produtos. A melhor parte é que temos tudo ao lado – num raio de 20 a 50 quilómetros conseguimos fazer tudo», realça a responsável de desenvolvimento de negócio.
Na apresentação durante a Première Vision, onde o projeto foi detalhado a uma plateia de interessados, alguns deles curiosos depois de terem passado pelo stand na área Smart Creation, dedicada a inovações sustentáveis, Olga Soares – que literalmente vestiu a camisola, com um conjunto produzido com uma das malhas recicladas desenvolvidas na coleção própria da marca – revelou que a estratégia da Circlo passa por três áreas de negócio, nomeadamente a coleção de malhas circulares, a valorização de materiais pós-industriais para soluções à medida dos clientes e, no futuro, um circuito totalmente fechado que envolve também vestuário pós-consumo, com a possibilidade de colaboração também na logística.
«A ideia é passar para três áreas de negócio, que fazem todo sentido, cada uma a seu tempo, e arranjar as soluções para tornar, efetivamente, a marca sustentável. Tudo aquilo que queremos fazer dentro da marca é completamente transparente, completamente rastreável e dentro dessas normas. Se é para ser sustentável, então vamos ser sustentáveis e, demore o tempo que demorar, vamos chegar lá», afirma Olga Soares.
Para já, o foco está em consolidar a confiança dos primeiros clientes e expandir passo a passo. «O mais importante, nas primeiras fases, é dar a conhecer aquilo que somos e o que fazemos. Criar confiança nos clientes que temos, sem dúvida alguma. Porque isso vai fazer abrir portas para o resto do mundo», conclui.











