Ainda sem dados oficiais, até porque as portas só se fecharam há poucas horas, o regresso a setembro da segunda edição do ano da Première Vision trouxe a sensação de uma feira mais pequena, com menos gente nos corredores – o que não se traduziu necessariamente em menos contactos válidos para os expositores presentes.
Ao longo dos primeiros dois dias, não houve propriamente enchentes de visitantes, numa mudança de dinâmica que trouxe para as empresas portuguesas – no total estiveram 43 expositores nacionais – contactos mais direcionados.

Para a TMG Textiles, «este primeiro dia e meio foi francamente positivo, não só em afluência, mas em afluência efetiva, ou seja, pessoas com interesse», reconheceu Vítor Fernandes, CEO da empresa, ao Portugal Têxtil.
Na Cordeiro Campos, estreante em Paris depois de participações em feiras nos EUA, a avaliação foi positiva, com um primeiro dia em que «tivemos quantidade e qualidade, apesar de não haver multidões. Tivemos pessoas que sabiam o que queriam», explicou Gilberto Santos, CEO da empresa de confeção.

A Casa da Malha também deu conta que «o primeiro dia correu bastante bem, melhor do que as expectativas», afirmou Carlos Dias, diretor comercial da empresa produtora de malhas.
Já na Fitecom, especialista em lanifícios, o CEO João Carvalho estimou que «a feira esteve a 60% no primeiro dia», enquanto Conceição Sá, CEO da empresa de malhas Lurdes Sampaio, assumiu que «a feira está mais pequena, com uma dinâmica diferente».

Este foi o cenário traçado pelos expositores portugueses ao Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, que visitou a feira na manhã do segundo dia e teve a oportunidade de ver, e tocar, nas novidades propostas para o outono-inverno 2026/2027, como as malhas 100% lã da NGS ou com lã merino da Brito Knitting, as propostas sustentáveis da Trimalhas e da Magma Têxtil, o conforto das malhas para fatos e blazers da Paulo de Oliveira ou o detalhe das peças produzidas pela Somani, J Caetano & Filhos e pela TMR.

Entre os stands, foi auscultando os desafios que a indústria enfrenta, nomeadamente a concorrência asiática e as dificuldades nos apoios. «Precisamos que nos ajudem, que acabem com a facilidade de entrada dos produtos asiáticos. Mandam produtos para a Europa a preços irrisórios, não pagam impostos – nós pagamos impostos para tudo e mais alguma coisa, eles não pagam impostos para nada –, os corantes fazem mal à saúde… Tem de haver reciprocidade», salientou Manuela Araújo, CEO da produtora de tecidos Lemar, acrescentando que a nível dos apoios à internacionalização, a empresa, que integra projetos conjuntos, ainda não recebeu qualquer reembolso. «Os apoios não chegam. O projeto já foi submetido em setembro, já fez um ano».
Secretário de Estado da Economia atento
Ao Portugal Têxtil, no final da visita, o Secretário de Estado da Economia garantiu que o Executivo está atento e disponível para apoiar o setor. «As ações coletivas são muito importantes para valorizar Portugal enquanto marca», considera João Rui Ferreira, que assumiu o compromisso que o Governo vai «cumprir, seja nos prazos, nas respostas, nos pagamentos. O mercado não espera pela nossa ineficiência». Reconhecendo «os desafios, que também são complexos do lado da administração, esta é uma questão que está mesmo só nas nossas mãos», João Rui Ferreira acredita que «em processos que não são cheques em branco, e com toda a transparência, temos que confiar e fiscalizar depois, para permitir que as empresas e os setores andem à velocidade que o mercado obriga».
Por isso mesmo, acrescentou, «a nova administração da AICEP vai ter uma estratégia de proximidade, acompanhamento, de relacionamento com todos, para antecipar também algumas dúvidas e problemas, para que não tenhamos de os corrigir mais à frente, mas, sobretudo, mais confiança e total confiança nas empresas».

Em relação à concorrência das empresas asiáticas, o Secretário de Estado da Economia admitiu tratar-se de uma preocupação transversal na Europa, mas realçou que «tudo o que tem a ver com comércio é uma competência exclusiva da Comissão Europeia». Ainda assim, afirmou, «Portugal tem sido vocal e presente nesta discussão», com o governo português a reclamar «um level playing field, ou seja, dar às empresas que exportam para a Europa as mesmas regras e as condições que impomos às nossas. Parece uma coisa lógica e é da maior justiça. Falta fazer, ser consequentes», acrescentou.
João Rui Ferreira afirmou que, no geral, «há um reconhecimento genérico das dificuldades do setor [por parte dos expositores portugueses], com uma redução de consumo a nível global, mas também um otimismo, porque os visitantes são mais focados e parecem trazer mais negócio».
O governante focou ainda as mais-valias nacionais, nomeadamente a sustentabilidade, que deixou de ser uma novidade e passou a estar «intrínseca na comunicação e na diferenciação das empresas», e a ambição das empresas em «subir na cadeia de valor e apostar em segmentos mais altos», reforçando a imagem de Portugal no exterior. «Vimos coisas mesmo muito interessantes de desenvolvimento de novos produtos, até de novos processos mais ecológicos, mais produtivos, com um componente biológico mais forte, muito interessante e, por outro lado, uma busca maior pela valorização da marca Portugal», frisou.
«Queremos estar ao lado das empresas, porque é nas empresas que se cria valor», apontou, garantindo que «estamos muito atentos e vamos continuar a acompanhar o setor».












