Associação americana quer fim do de minimis

O National Council of Textile Organizations veio a público apoiar uma reforma agressiva do mecanismo que permite exportações para os EUA sem pagamento de têxteis, numa altura em que a legislação está em debate no país.

[©Unsplash-Louis Velazquez]

Kim Glas, presidente e CEO do National Council of Textile Organizations (NCTO) elogiou a iniciativa para tentar acabar com o que afirma ser «o abuso sistemático» por parte da China da legislação comercial dos EUA, que, sustenta, prejudica os empresários e trabalhadores americanos e permite a continuação da utilização de mão de obra forçada em Xinjiang.

«Esta é uma crise de impactos desproporcionais que necessita de soluções abrangentes e urgentes», sublinha Kim Glas, que o debate em curso no Comité de Formas e Meios é apenas um primeiro passo.

«A ação do Congresso sobre o de minimis não deve resultar em meias-medidas que não abordem adequadamente os aspetos complexos desta questão multifacetada e os muitos desafios únicos que ela coloca. Fazer isso corre o risco de deixar a porta aberta a novos abusos, pois sabemos que a China continuará a explorar todos os meios disponíveis para destruir as indústrias americanas e o nosso tecido social», alega a presidente e CEO do NCTO.

A associação considera, contudo, «que o projeto de lei, tal como apresentado, precisa de ser reforçado para reestruturar de forma abrangente e eficaz este mecanismo de isenção tarifária extremamente falível. Especificamente, não acreditamos que o projeto de lei vá suficientemente longe na restrição dos enormes privilégios da China sob condições de minimis. Além disso, acreditamos firmemente que o projeto de lei, no mínimo, deveria impedir o tratamento de minimis para sectores sensíveis ao comércio, como os têxteis e o vestuário, que, de acordo com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, representam 50% de todas as entradas sob de minimis», realça.

Segundo a NCTO, foram encerradas 14 unidades produtivas da indústria têxtil nos EUA nos últimos meses, afetadas pelo crescimento dos players asiáticos de comércio eletrónico como a Shein e a Temu, que enviam encomendas diretamente aos consumidores sob o de minimis. «Para além de explorar a indústria transformadora dos EUA e dos nossos parceiros de comércio livre, estes produtos também demonstraram conter materiais produzidos com trabalho escravo uigure. Como resultado, a indústria têxtil dos EUA está a passar por uma crise económica histórica», aponta.

A associação realça ainda que «o abuso da lacuna de minimis pela China tem impacto não só nos trabalhadores e consumidores americanos, mas também deslocou mais de 100.000 trabalhadores têxteis e de vestuário em todo o Hemisfério Ocidental, onde os nossos parceiros de comércio livre são forçados a competir com o acesso injusto de minimis da China».

Como tal, «o Congresso não deve deixar passar este momento em que uma reforma abrangente está ao nosso alcance», conclui Kim Glas.