Além do aumento nos transportes, os custos de produção subiram devido ao pagamento adicional de 2,5 dólares (cerca de 2,12 euros) mensais por trabalhador para compensar os gastos com combustível, além do encarecimento das matérias-primas, revelou Kaing Monika, secretário-geral adjunto da Associação de Têxteis, Vestuário, Calçado e Artigos de Viagem do Camboja (TAFTAC), ao Just Style.
O secretário-geral adjunto da TAFTAC explica que o setor é altamente dependente de camiões a gasóleo e das importações de combustível provenientes da região do Golfo, afetadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. «Quando o preço do gasóleo sobe, as empresas de transporte aumentam os preços», indica.
Segundo Kaing Monika, as preocupações iniciais sobre um possível impacto negativo nas exportações aliviaram após a descida dos preços do petróleo, na sequência do anúncio de cessar-fogo americano-israelita no Irão e no Líbano, a partir de 16 de abril. Já a 30 de abril, a gasolina no Camboja custava 1,28 dólares por litro e o gasóleo 1,41 dólares, depois de terem atingido máximos de 1,38 dólares e 2,05 dólares, respetivamente, no início do mesmo mês.
Apesar da pressão sobre os custos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Asiático de Desenvolvimento mantêm previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Camboja de cerca de 4%, embora o Banco Asiático de Desenvolvimento tenha reduzido a previsão de crescimento para 2026 de 5% para 4,5%.
Albert Park, economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento, alerta que «um conflito prolongado no Médio Oriente é o maior risco para as perspetivas da região, uma vez que pode conduzir a preços persistentemente elevados da energia e dos alimentos e a condições financeiras mais restritivas».
Ainda assim, Kaing Monika considera que a indústria continuará a expandir-se em 2026, beneficiando do acordo tarifário alcançado com os EUA em outubro de 2025, que reduziu as tarifas americanas para 19%. «Os compradores dos EUA reduziram as suas encomendas da China e aumentaram as encomendas aos nossos países do Sudeste Asiático e nós somos um dos países beneficiados», sublinha.
Os dados da Direção-Geral das Alfândegas e Impostos Especiais do Camboja (GDCE) indicam que as exportações de têxteis, vestuário, calçado e artigos de viagem geraram 3,7 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, com o vestuário a crescer 6%, os têxteis 35%, o calçado 12% e os artigos de viagem 4%, em termos homólogos.
Pen Sovicheat, porta-voz do Ministério do Comércio, confirma que as encomendas estão acima dos níveis do ano passado. «Podemos assim concluir que nos próximos trimestres as exportações destes produtos continuarão a aumentar comparativamente ao ano passado, porque as encomendas são superiores às do ano passado», refere.
Dependência energética preocupa setor
Sobre o impacto do aumento dos combustíveis, o porta-voz do Ministério do Comércio refere que «é apenas no setor dos transportes, mas trata-se de um problema global», pelo que não constitui uma desvantagem competitiva, sobretudo porque o governo garantiu a estabilidade dos preços da eletricidade.
A vulnerabilidade energética do país foi agravada pela suspensão das importações de combustível e eletricidade da Tailândia durante a disputa fronteiriça de 2025, bem como pelas restrições impostas pela China e pelo Vietname, forçando o Camboja a depender cada vez mais da Malásia e de Singapura.
Dean Rizzetti, diretor regional de política energética da EnergyLab Asia, defende que o país precisa de explorar melhor os seus recursos renováveis. «O aumento do preço do combustível está a pressionar as famílias e as empresas em todo o Sudeste Asiático e o Camboja não é exceção», afirma, acrescentando que aproveitar o sol, os recursos hídricos e o vento «reduzirá a dependência de combustíveis fósseis importados e pode contribuir para a redução dos preços da energia para as empresas e a indústria».




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