Produtores certificados pela BCI reduzem emissões

Através da adoção de práticas regenerativas, um grupo de produtores de algodão certificados pela Better Cotton Initiative reduziu as emissões de gases com efeito de estufa em 54% numa única época agrícola nos EUA.

[©Better Cotton Initiative-Boulos Abdelmalek]

O resultado foi alcançado no âmbito de um projeto-piloto colaborativo liderado pela Better Cotton Initiative (BCI) e pela Indigo Ag, fornecedora de soluções agrícolas, durante a época 2024/2025. Os agricultores comprometeram-se a implementar quatro práticas regenerativas, nomeadamente rotação de culturas, cultivo de culturas de cobertura, gestão do azoto e sementeira direta.

O grupo de produtores de algodão dos estados norte-americanos do Mississippi, Arkansas e Missouri, nos EUA, conseguiu reduzir em 54% as emissões de gases com efeito de estufa numa época agrícola, em comparação com as médias regionais, valor que sobe para 77% quando considerada a captura de carbono.

Segundo os dados divulgados, os agricultores reduziram emissões e capturaram carbono num total superior a 17.500 toneladas de dióxido de carbono equivalente em mais de 19 mil acres (cerca de 7,6 mil hectares).

Lars van Doremalen, diretor de impacto da BCI, refere que «este projeto capta o poder da agricultura regenerativa e o valor dos dados do terreno. Os produtores com quem trabalhamos têm impulsionado a mudança há anos. Mas, ao quantificar esse impacto, podemos desbloquear incentivos tangíveis tanto para as comunidades agrícolas como para as empresas de moda, para que impulsionem a mudança em conjunto».

Os resultados foram calculados e verificados através da tecnologia da Indigo Ag, gerando dados que permitem monetizar as reduções de carbono, tendo em conta os custos da adoção das práticas agrícolas e os benefícios associados por tonelada de dióxido de carbono equivalente.

«Ao combinar medições rigorosas no terreno com uma verificação fiável, este projeto-piloto demonstra como a agricultura regenerativa pode gerar um impacto climático real e quantificável na cadeia de aprovisionamento do algodão. Apoiadas pela plataforma de recolha de dados, verificação e quantificação da Indigo e pela sua experiência em políticas, as marcas e as retalhistas podem investir diretamente em reduções de carbono verificadas, criando simultaneamente fontes de receita significativas para os agricultores, numa altura em que muitos agricultores norte-americanos lutam para manter as suas explorações a funcionar. É um modelo poderoso para alinhar o progresso ambiental com oportunidades económicas – acelerando a descarbonização de âmbito 3 e expandindo práticas regenerativas onde elas mais importam: no terreno», sublinha Leigh Cooper Swisher, diretora de soluções de sustentabilidade da Indigo Ag.

Segundo a BCI, as marcas e as retalhistas podem agora pagar pelas reduções verificadas de emissões geradas pelos agricultores através da adoção de práticas regenerativas. Por cada tonelada de dióxido de carbono equivalente reduzida ou removida da atmosfera, os produtores recebem mais 53 dólares (aproximadamente 45 euros), criando uma fonte adicional de rendimento numa altura em que as margens de lucro do setor estão sob pressão.