INUP reforça tradição

Matérias-primas naturais, recicladas, certificadas e rastreáveis fazem parte da oferta da empresa de têxteis-lar, que, apesar de estar atenta às tendências, se mantém fiel à sua identidade e quer valorizar a tradição.

Joaquim Ferreira

«Tentamos sempre ter a nossa identidade e atualizá-la com novas qualidades de matérias-primas, novos desenhos, novas cores e novas tendências em termos de conceito de cama, mesa e banho», salienta Joaquim Ferreira, CEO da INUP, ao Jornal Têxtil.

Esse ADN tem sido um argumento competitivo junto dos clientes. «Focamo-nos muito na identidade. O que é que somos? O que é que o consumidor procura? Fazemos muito shopping para ver o que o consumidor gosta. E ajudamos os nossos clientes com isso – quando vêm ter connosco, já sabemos o que precisam», explica.

Para a nova coleção, a empresa usou reciclados com certificação GRS, linhos com certificação European Flax e a rastreabilidade garantida pela FibreTrace aplicada aos fios reciclados. «Recuperamos alguns dos nossos desperdícios e fizemos fio, com 40% de fibra reciclada e 60% de fibra virgem», indica.

A sustentabilidade, de resto, consta dos objetivos da INUP, que tem como meta «diminuir o nosso desperdício e reciclar, mesmo as amostras», destaca. «No fundo, a ideia que passamos a toda a equipa é recuperar. A nossa estrutura está preparada para transformar alguns desperdícios que possamos ter e recuperá-los para os voltar a colocar no mercado», acrescenta.

Com uma capacidade produtiva na tecelagem de 80 mil metros por mês, incluindo não só teares jacquard para fazer roupa de cama, mas também teares de felpo, a empresa tem os EUA e a Europa como principais mercados, a que soma também algumas vendas para a América Latina.

Em 2023, apesar da situação mundial fazer com que «tudo esteja difícil», a INUP, que emprega quase meia centena de pessoas, manteve o volume de negócios face a 2022, na ordem dos 9 milhões de euros. «A empresa tem crescido gradualmente, muito devagar, e é esse o objetivo: que a empresa cresça mais até em termos de produto, de valor acrescentado, do que em volume», salienta Joaquim Ferreira.

Para 2024 estão previstos novos investimentos em infraestruturas e equipamentos, na linha do que tem sido feito nos últimos anos. «Em 2024/2025 vamos fazer alguns investimentos, se tudo correr bem, para aumentar a capacidade de espaço para fazer um novo showroom e a substituição de algum tear mais antigo ou alguma máquina de acabamentos», confirma o CEO. «Também vamos investir muito em painéis solares – já investimos e vamos continuar a investir nessa área para reduzir os custos com a energia», acrescenta, dando conta que, atualmente, a empresa é já autossuficiente em cerca de 15% a 20% do consumo.

Em jeito de balanço de uma década com indústria associada à empresa, Joaquim Ferreira acredita que ser fiel às suas origens é fundamental para o futuro. «As novas tecnologias são importantes, mas o handmade também. Portanto, estamos a fazer muito esforço para trabalhar o handmade: temos feito bordados à mão, coisas bem típicas de Portugal, porque é essa a mais-valia que Portugal tem, criar um produto de valor acrescentado. O nosso foco é, cada vez mais, ir buscar as tradições portuguesas e exportá-las. Somos uma empresa com tecnologia avançada, mas queremos manter a tradição», justifica.

Uma estratégia que tem sido bem acolhida, tanto por «novas marcas como por marcas mais antigas», revela Joaquim Ferreira. «É isso que Portugal está a fazer mal, perder a identidade. Tiram-se as lojas tradicionais e metem-se griffes mundiais. Vamos a Paris ou vamos a Lisboa e é igual. Nós estamos a tentar ir no sentido contrário, que é valorizar o que há de bom em Portugal. A nossa aposta para o futuro é mesmo a tradição», conclui.