Sustentabilidade reforçada na Filasa

Além de vários investimentos para reduzir a pegada dos processos produtivos, a empresa de fiação está a intensificar a aposta de longa data em artigos mais amigos do ambiente.

Fátima Antunes

A mais recente coleção, apresentada na Première Vision, contempla matérias-primas orgânicas e recicladas, assim como fibras alternativas provenientes de frutas ou plantas como a soja. «Já há alguns anos que estamos virados para a sustentabilidade e, este ano, a coleção é praticamente 100% sustentável», sublinha Fátima Antunes, administradora da Filasa.

Os reciclados fazem igualmente parte da oferta, incluindo os fios produzidos a partir dos próprios desperdícios do grupo, embora seja «uma fatia muito pequena da nossa produção», até porque «não produzimos desperdícios suficientes», ressalva Fátima Antunes.

Uma das novidades são os fios produzidos a partir de denim reciclado. «Permite o aproveitamento dos jeans, que são reciclados, e com a fibra proveniente dessa reciclagem, misturamos com fibras virgens orgânicas e transformamos em fio. Não trabalhamos com 100% reciclado devido às características – não conseguimos ter um fio com qualidade a nível de resistência», justifica.

Os clientes, revela a administradora da Filasa, «têm tido uma certa adesão» a este tipo de artigo. «Basta vermos pelas grandes marcas, como é o caso do Grupo Inditex, da Next, da H&M, que estão francamente virados para tudo o que é sustentável», aponta.

A par com a atenção à sustentabilidade, há igualmente na Filasa a vocação para desenvolver novos produtos, nomeadamente no departamento dedicado que tem como missão «inovar sempre que seja possível e com as parcerias que vamos fazendo», indica a administradora.

Para além do produto, a empresa tem igualmente feito investimentos ao nível produtivo, melhorando a eficiência e a pegada ambiental dos processos. «Fizemos um investimento ao nível de painéis fotovoltaicos, na melhoria energética, e na área informática – são investimentos que estão a ser finalizados», revela Fátima Antunes.

Este ano deverá ser a vez da renovação do parque de máquinas. «A nossa empresa tem 35 anos e temos de estar sempre a investir, porque, de outra forma, ficava completamente desatualizada. A Filasa não nasceu para fazer o tipo de artigo que agora pode oferecer aos clientes, com misturas diferentes e fibras que não são tão fáceis de trabalhar como o 100% algodão. Portanto, temos sempre outro tipo de exigências que só podem ser traduzidas nas máquinas através de investimentos», realça.

Para a empresa de fiação, 2023 «não foi um ano bom», afirma Fátima Antunes, que ao Portugal Têxtil dá conta de «uma baixa de faturação, que penso ter sido transversal a todos os outros segmentos da indústria e que se sentiu também no fio, que é logo o ponto de partida».

Com uma redução na ordem dos 15% do volume de negócios, as expectativas para 2024 são ainda pouco claras, «mas esperamos que este ano possamos dar a volta e voltemos ao que estávamos habituados ao nível de produção e não só», assume a administradora da Filasa.

O grande desafio, no entanto, é aliar melhores produtos, mais amigos do ambiente, à competitividade. «O objetivo é criar uma certa sustentabilidade naquilo que temos vindo a fazer até aqui, na apresentação das novas coleções, que sabemos que são nichos de mercado muito mais pequenos do que aquilo a que estávamos habituados, mas que têm sempre um valor acrescentado. É por aí que temos de ir, porque não somos competitivos com as commodities e com os básicos», conclui Fátima Antunes.