Retalhistas testam aumento de preços

Marcas como a Levi’s, Ralph Lauren e Under Armour estão a apostar em preços mais altos e a reduzir as promoções, aproveitando a resiliência dos consumidores de maior rendimento, que sustentam metade dos EUA.

[©Levi Strauss]

Alguns retalhistas de vestuário estão a testar cada vez mais produtos a preço total, numa tentativa de perceber até onde os consumidores com maior poder de compra estão dispostos a ir, apesar do impacto das tarifas comerciais, revela a Reuters.

Em julho deste ano, a Levi Strauss aumentou os preços de alguns produtos e não verificou qualquer abrandamento na procura. «Estamos a fazer uma pressão total para vender a preços mais elevados do que no passado. O consumidor da Levi’s, na maioria, ganha 100 mil dólares [cerca de 85,2 mil euros] ou mais. E esse consumidor que estamos a ver é, geralmente, resiliente», afirma Harmit Singh, diretor financeiro da empresa de jeanswear.

A Ralph Lauren, a Under Armour e a Abercrombie & Fitch também estão a orientar-se para esta estratégia. De acordo com Patrice Louvet, CEO da Ralph Lauren, o negócio tem mudado «para uma base de consumidores de preço total mais elevada e isso tem-nos servido bem, uma vez que o nosso consumidor principal em todo o mundo continua resiliente».

Esta estratégia surge num contexto em que as famílias norte-americanas com menores rendimentos sentem o peso das tarifas comerciais, ao contrário dos consumidores mais ricos, que continuam a comprar de forma constante e, em grande parte, sem serem afetados pela desaceleração do mercado de trabalho. Segundo a Moody’s Analytics, nos EUA, os 10% mais ricos – com rendimentos iguais ou superiores a 250 mil dólares anuais – concentram hoje metade de todos os gastos de consumo no país.

Kevin Plank, CEO da Under Armour, declarou, em agosto, que a empresa estava a considerar aumentar os preços para os «consumidores fiéis, sobre os quais temos poder de fixação de preços. Estamos a ter sucesso ao testar novos itens importantes ao preço integral, incluindo o nosso boné StealthForm de 45 dólares e a nossa coleção e roupa térmica, que são dois exemplos fortes».

A diferença em relação ao passado é que, mesmo que um artigo não venda, a tecnologia permite aos retalhistas reagir rapidamente, oferecendo promoções direcionadas. «Na forma tradicional de fazer as coisas, receberia um folheto a dizer que tudo tem 25% de desconto… Agora, se estiverem a vender casacos de lã da North Face e estiverem 15 °C, por exemplo, em Nova Iorque, podem oferecê-los em promoção apenas por alguns dias em Nova Iorque», explica Kate McShane, diretora executiva da Goldman Sachs.

Segundo os analistas, este ano, muitas marcas deverão resistir a grandes campanhas de desconto na época natalícia, ao contrário dos anos anteriores. «Se olharmos para o Summerween e para o regresso às aulas deste ano, a estratégia foi colocar os artigos sazonais nas prateleiras a preço total para começar. É como se estivéssemos a testar o terreno para ver o que o consumidor está disposto a pagar a preço integral. E quando não há movimento, passamos rapidamente para a estratégia de promoção», resume Alison Furman, consultora da PwC.