Première Vision arranca com procura internacional

O certame francês começou ontem com 34 expositores portugueses, entre os quais A. Ferreira & Filhos, Meamstyle, A. Sampaio, Têxtil Nortenha e Eyand, que destacam a importância da feira para captar novos clientes, apresentar coleções e reforçar a presença internacional.

A decorrer até quinta-feira, 3 de setembro, no Centro de Exposições Paris Nord Villepinte, a Première Vision reúne cerca de 900 expositores internacionais sob o tema “Innovation-Tech”, colocando em destaque tecnologias e materiais destinados a responder aos desafios de competitividade, sustentabilidade e transformação da indústria.

Entre os expositores portugueses encontram-se empresas de diferentes áreas da cadeia de valor, desde fios a tecidos e malhas, confeção, marroquinaria e soluções de desenvolvimento de materiais. Na área Fabrics estão presentes a 6 Dias, A. Sampaio, Albano Morgado, Barbosa & Cardoso, Casa da Malha, Crispim Abreu, Fábrica de Tecidos Vilarinho, Fitecom, Lemar, NGS Malhas, Sidónios Knitwear, Texser, TMG Textiles, Trimalhas e Vilartex.

Na área de Smart Creation, a representação portuguesa inclui a Circlo, Eyand e Positive Materials, enquanto no segmento de Manufacturing participam A. Ferreira & Filhos, Empresa Têxtil Nortenha, Meamstyle, Orfama, Siena, Somani e WAT.

A presença nacional completa-se com a Inovafil na área dos fios e com empresas ligadas ao couro e à marroquinaria, nomeadamente a Addvance, Bolflex – My Cute Pooch, Exporplás – Rubber Outsoles, Inducol, Induta e MTV – Indústria e Comércio de Marroquinaria e Acessórios de Vestuário.

No primeiro dia, os expositores portugueses evidenciaram uma forte componente comercial, com as empresas a receberem clientes habituais e potenciais novos parceiros de diferentes mercados. França, Países Baixos, Bélgica, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido, Canadá, EUA, Brasil e Austrália estiveram entre as geografias mencionadas.

Regressos e estreias

Valerie Doussineau

Para a A. Ferreira & Filhos, o regresso à Première Vision, depois de alguns anos sem marcar presença, está associado a uma mudança de posicionamento da empresa. Após ter reforçado a aposta nos têxteis-lar, o vestuário voltou a ganhar peso na atividade e é atualmente a principal prioridade. «É sempre importante estar aqui porque Paris é Paris e também é uma forma de as pessoas nos conhecerem», explica Valerie Doussineau, comercial da empresa.

Miguel Ferreira aponta a angariação de novos clientes e projetos como os principais objetivos. Por outro lado, o comercial da A. Ferreira & Filhos considera que a presença nesta feira funciona também como estímulo para o desenvolvimento de produtos. «Também nos obriga a pensar um bocadinho internamente, a estimular e fazer coisas novas», refere, ressaltando que todas as peças de vestuário em exposição, exclusivamente wholegarment, foram produzidas especificamente para apresentar na Première Vision. No primeiro dia, cerca de 90% dos contactos estabelecidos foram europeus, com visitas da Bélgica, França, Países Baixos e Espanha, além de um contacto da Austrália.

Maria do Carmo e Pedro Mendes

A necessidade de diversificar a carteira de clientes é particularmente evidente na Meamstyle, estreante na feira francesa, na qual estão a expor «uma variedade de produtos para demonstrar as nossas capacidades, tanto na secção dos jerseys como na dos tecidos, além de técnicas de estampado digital», explica Pedro Mendes, comercial e segunda geração da empresa. «Temos necessidade de fazer a feira para arranjar novos contactos, novos clientes. O mercado está muito flutuante e, por isso, precisamos de trazer mais clientes para dar mais equilíbrio», reforça o comercial da produtora de vestuário.

Depois de cerca de oito anos sem uma presença regular em feiras internacionais, com participações anteriores em Nova Iorque, Amesterdão e Londres, a Meamstyle considera satisfatório o arranque da edição parisiense. «O saldo é positivo. São três dias de feira, mas o primeiro dia já foi positivo. Não tínhamos expectativas nenhumas, sinceramente», adianta Maria do Carmo Mendes, CEO da empresa, que recebeu visitantes dos Países Baixos, França, Reino Unido, Bélgica, Canadá e Suíça.

Repetentes com sucesso

A. Sampaio

A A. Sampaio, que participa no certame parisiense há mais de duas décadas, mantém uma leitura otimista sobre o papel do evento. «Para nós é um ponto de encontro bastante interessante com os nossos clientes já existentes e um ponto de contacto com novos clientes para mostrar o que fazemos. Aqui, em três dias, temos a possibilidade de contactar com uma grande quantidade de pessoas», realça João Mendes. O administrador da empresa especializada em malhas circulares reconhece, no entanto, que as feiras têm sofrido alterações, nomeadamente depois da pandemia e devido à redução dos orçamentos das produtoras e marcas para deslocar equipas. «Sente-se, mas não é só nesta, é transversal à maior parte das feiras, talvez com a exceção de feiras relacionadas com segurança e proteção», sublinha.

Têxtil Nortenha

Também a Têxtil Nortenha encara a Première Vision como a principal plataforma de exposição internacional. «É a única feira em que apostamos e que temos a tendência de fazer com regularidade» e, nesta edição, a aposta recai sobre «malhas mais nobres e produtos com acabamentos diferentes para demonstrar os mais de 70 anos que a empresa tem em operação e o know-how que fomos adquirindo», afirma Jorge Branco, diretor comercial e terceira geração da família fundadora.

Eyand

«É uma feira que é reconhecida mundialmente e que atrai compradores dentro do segmento que nos interessa estar, que é o mais high-end possível», indica o diretor comercial, acrescentando que além da procura de novos negócios, a empresa valoriza o networking e a possibilidade de identificar novos parceiros.

Na Eyand, especializada em tingimentos naturais, Barth Perez, diretor comercial, apresenta uma perspetiva mais cautelosa sobre esta edição, sobretudo devido à calendarização. «Esta data é um pouco estranha. É muito cedo. Acho que tem de avançar duas semanas», reflete, apontando o período de férias como um fator que condiciona a presença de compradores. Mesmo assim, o espaço da empresa esteve bastante movimentado, com contactos estabelecidos sobretudo com franceses e com destaque para produtoras de vestuário e algumas marcas.