ITV mundial ainda sob pressão

O mais recente inquérito da International Textile Manufacturers Federation traça um cenário ainda negativo para a ITV, mantendo-se a tendência que já se regista desde junho de 2022, numa altura em que as empresas de todos os segmentos enfrentam uma “tempestade perfeita” com custos altos e baixa procura.

O 19.º inquérito da International Textile Manufacturers Federation (ITMF), de março de 2023, cujos resultados foram apresentados neste mês de abril, revela que a situação mundial da indústria têxtil e vestuário (ITV) em termos de negócios continua a deteriorar-se. «Empresas de todo o mundo e de todos os segmentos enfrentam um cenário de “tempestade perfeita” com elevados custos de produção e uma procura relativamente baixa», apontam as conclusões da ITMF.

Pela positiva, as expectativas da ITV para o clima de negócios a seis meses têm vindo a melhorar desde novembro de 2022. «Não é claro se este crescente otimismo sobre o futuro a médio prazo se deve a uma crença de que a situação não pode ficar muito pior ou a antecipação de uma normalização económica bem fundada», indica a ITMF.

As encomendas têm igualmente vindo a diminuir de forma consistente desde novembro de 2021, em linha com a tendência do clima económico. A taxa de declínio, contudo, abrandou em março de 2023. «O abrandamento da procura é a principal preocupação na cadeia têxtil mundial de valor desde julho de 2022 e a sua importância aumentou mesmo no último inquérito», refere a ITMF, que avança que a inflação é a segunda maior preocupação em termos globais.

Quanto às perspetivas, «as melhorias esperadas para o segundo semestre de 2023 são suportadas por um nível relativamente baixo de cancelamento de encomendas e pela estabilização dos níveis de inventário», destaca a ITMF, que revela que 53% dos inquiridos neste 19.º inquérito não registaram cancelamentos nos últimos quatro meses – no inquérito anterior, em janeiro, tinham sido 58%. O fenómeno é mais forte na América do Sul e afeta mais fiações e tecelagens.

No que diz respeito aos inventários, 58% dos inquiridos classificaram os níveis como normais, sendo que o número de empresas que reportou inventários mais altos é mais elevado na Ásia e na Europa. Em termos de segmentos, são os produtores de têxteis-lar que referem stocks mais altos.