China alicia ITV para o interior

O governo regional de Xinjiang anunciou em outubro a legislação para angariar o seu próprio financiamento, e espera garantir um financiamento adicional por parte do governo central de Pequim. A proposta legislativa está dentro de um pacote de ação que inclui uma lista de empresas potencialmente interessadas em construir unidades industriais e que, como resultado, deverão receber subsídios. Em setembro, o governo de Xinjiang também emitiu normas de construção para fábricas têxteis, pelo que apenas serão concedidos subsídios às empresas que cumprirem os regulamentos. O objetivo passa por gerar 420 mil postos de trabalho na região, cuja população atinge os 22 milhões de pessoas, e fomentar a produção têxtil e vestuário para pouco mais de 14 mil milhões de dólares até 2018, de acordo com documentos do governo. O governo regional espera que a iniciativa crie 1 milhão de postos de trabalho, com uma produção de 34,8 mil milhões de dólares, até 2023. Os incentivos serão aplicados a empresas chinesas e estrangeiras, segundo responsáveis oficiais locais, referindo que o governo central da China está empenhado em melhorar a economia da remota região de Xinjiang. Os principais beneficiários serão as novas fábricas de vestuário, que irão usufruir de um período de aluguéis gratuitos ou baixos; acesso a centros de formação profissional para os trabalhadores; subsídios para ajuda à construção; e subsídios para a compra local de algodão e eletricidade. Os produtores de algodão em Xinjiang também irão lucrar, já que a região produz 60% do algodão em bruto da China, mas «a falta de fábricas significa baixa procura das empresas locais», refere um comunicado do governo de Xinjiang. «Com as fracas ligações ferroviárias para o resto do país, os produtores de algodão de Xinjiang têm sentido dificuldades nos últimos anos». O objetivo do fundo de «aumentar o emprego e os rendimentos e manter a estabilidade social» na região, vai estancar a queda no número de empregos, observou um comunicado do governo de Xinjiang. «Nós preferimos empresas de vestuário, porque contratam mais trabalhadores», acrescentou Cao Lianlian, funcionário do gabinete regional de promoção de negócios. A província de Xinjiang é atualmente o principal beneficiário da nova política de algodão da China, que vai pagar subsídios aos agricultores quando o preço de mercado cair abaixo de um valor de referência pré-estabelecido. No entanto, a região não é apenas uma das mais pobres da China, também foi atingida pela violência nos últimos meses, incluindo tumultos étnicos e ataques terroristas. As autoridades culparam os separatistas da minoria étnica Uigur, maioritariamente muçulmana. Um influxo de chineses da etnia Han proveniente do resto da China contribuiu para aumentar as tensões. O 12.º plano quinquenal chinês (2011-2015) de desenvolvimento para a indústria têxtil local revela que Urumqi, a capital de Xinjiang, foi selecionada para o desenvolvimento como centro regional do comércio têxtil e vestuário, enquanto Aksu, Shihezi e Korla foram designadas como três cidades industriais têxteis. Além disso, grandes parques industriais têxteis serão localizados em sete cidades e localidades da região. A China tem também planos para o transporte das exportações da região num caminho-de-ferro de alta velocidade de quase 2.000 quilómetros através de Xinjiang até ao porto de Gwadar no Paquistão – o qual foi financiado pelos chineses. A partir daí exportar para a Europa e América do Norte será mais rápido e mais seguro do que através do Mar da China Meridional e do Oceano Índico. No entanto, como Mike Flanagan escreveu recentemente no just-style, «o governo central acredita sinceramente que o dinheiro irá beneficiar a população nativa de Uigur em Xinjiang, mas tentativas semelhantes de crescimento (embora menos dispendiosas) impulsionadas pelo têxtil nos últimos 15 anos, não foram a lado nenhum».