A gigante do vestuário americano assistiu ao aumento do valor das suas ações depois dos resultados do primeiro trimestre, recentemente divulgados, terem superado as expectativas dos analistas e ampliado a previsão anual do grupo. Os ganhos no primeiro trimestre do ano totalizaram 114,1 milhões de dólares (101,7 milhões de euros), face ao resultado de 35,2 milhões de dólares assinalado no ano anterior. Este crescimento foi impulsionado principalmente por um aumento da receita de 4%, para 1,88 mil milhões de dólares, melhoria da margem bruta e fortalecimento da marca Calvin Klein. Esta é uma boa notícia para a indústria, dado que o segmento masculino da Calvin Klein perdeu 50% da quota de mercado de denim que detinha há quatro ou cinco anos atrás.

Na América do Norte, a marca tem reportado vendas de denim relativamente estagnadas no segmento feminino, superado pelo masculino. Este comportamento, sustenta a empresa, é resultante da valorização do dólar, que tem afetado negativamente a despesa dos turistas internacionais. Na reunião com os analistas, o CEO do grupo, Emanuel Chirico, destacou que «é melhor do que tem sido, mas ainda não caracterizaria o segmento jeans como uma categoria quente neste momento. Mas não sangra tanto como antes». No entanto, admitiu que o segmento masculino melhorou. «Os valores negativos converteram-se agora em positivos baixos, pelo que o sangramento parou e penso que o negócio está melhor».

Oferta
No que diz respeito ao segmento feminino da PVH, Chirico afirmou que a empresa tem registado melhorias significativas, particularmente na categoria de partes de baixo de denim e não denim. «Temos realmente assistido a uma grande mudança e temos tentado tirar proveito disso, tanto do ponto de vista da cadeia de aprovisionamento como de logística, de forma a realmente capturar alguma dessa inovação que está a ocorrer na secção das mulheres», indicou. Chirico destacou a pressão imposta sobre a categoria de denim feminino devido ao crescimento do mercado de vestuário desportivo. «Isso tem pressionado a categoria feminina de forma muito mais intensa.

Estamos a começar a entender melhor o nosso consumidor feminino, o que impulsiona as suas decisões de compra, e acho que as nossas campanhas de marketing estão realmente a alinhar-se com isso, particularmente a campanha da Kendall Jenner, que foi lançada há um ou dois meses. Penso que estamos a começar a conectar-nos mais diretamente com os nossos consumidores do sexo feminino», referiu. «Temos mencionado consistentemente o facto de que as iniciativas de produtos masculinos centradas na qualidade e fit estão seis meses adiantadas face às iniciativas femininas, por isso sinto que, à medida que entramos no segundo semestre do ano e nos aproximamos de 2016, veremos melhorias mais dramáticas no segmento feminino em consequência dessas iniciativas», acrescentou.

Mercado
Apesar do otimismo demonstrado face ao segmento feminino, Chirico ressalva a existência de «grandes melhorias» no lado masculino do negócio. «Está a tornar-se uma categoria que deverá ser muito rentável, porque não há um problema real para nós. Há um desejo do consumidor masculino de encher os seus armários, algumas tendências de moda que têm surgido, pelo que penso que essa categoria irá começar a melhorar no decorrer dos próximos dois ou três anos, e assistiremos a uma melhora significativa em 2015».

O desempenho da marca Calvin Klein, em particular na América do Norte, aparenta melhorias, com o segmento masculino a reportar um aumento de vendas de dois dígitos e recuperação da quota de mercado. Porém, Chirico sugere que esta não será uma tarefa fácil. «Temos de ser honestos connosco próprios. Recuperar aquela quota de mercado, inaugurar novos espaços na América do Norte e aumentar o tráfego em algumas das principais lojas na América do Norte será difícil à medida que o negócio avança», apontou.

Desafios
Apesar de se mostrar satisfeito com os resultados do primeiro trimestre, que superaram as previsões inicialmente traçadas, o grupo PHV afirmou que continuará a tomar uma «abordagem prudente» no planeamento do negócio, devido às imprevisíveis e voláteis moedas estrangeiras e despesas de consumo globais. De forma a compensar estes aspetos, Chirico adiantou que a empresa irá aumentar os preços, acrescentando que «a questão é até que ponto, que oportunidades isso representa, quais as posições competitivas que existem». O diretor-executivo disse que o PHV se encontra em «importantes conversações» com os seus principais parceiros de retalho globais sobre «o que veem e onde nos encontramos». «Há uma série de alavancas a pressionar, e nós iremos determinar isso nos próximos três a seis meses, à medida que se vai desenrolando, procurando garantir flexibilidade à medida que avançamos», referiu. Chirico acrescentou que «iremos testar alguns aumentos de preço no outono e durante as festividades, procurando analisar como o mercado reage.

Mas também queremos assegurar, como líderes de mercado, a recuperação da Calvin Klein. As quotas de mercado são importantes para nós, por isso queremos ter a certeza de que não estamos com preços demasiado altos no mercado. Por isso, estamos realmente a tentar alcançar um equilíbrio, mas claramente existirá a possibilidade de aumentar os preços no período da primavera de 2016, tendo em conta o que está a acontecer no plano competitivo». O grupo PHV está confiante no seu «forte» balanço e crescente cash-flow, que deverá ser atingir os 450 milhões de dólares em 2015. «Estamos confiantes de que temos a flexibilidade financeira para, primeiramente, adquirir e, mais diretamente, tomar posse de determinadas licenças da Calvin Klein e Tommy Hilfiger, continuar a abater a dívida e devolver capital aos nossos acionistas através do nosso novo programa de recompra de ações», concluiu o CEO.