Meamstyle investe em estamparia digital

A produtora de vestuário sediada em Barcelos investiu quase um milhão de euros em duas máquinas de estamparia digital para reforçar a oferta, responder à procura por produtos mais elaborados e aumentar a capacidade produtiva.

Maria do Carmo e Pedro Mendes

Instalados em fevereiro, os dois equipamentos marcam o maior investimento da Meamstyle nos últimos anos e representam, de acordo com Pedro Mendes, comercial e segunda geração da empresa, um salto de qualidade e de produtividade. «Têm a particularidade de misturar flat print 2D com 3D», permitindo criar «detalhes e texturas aos estampados», explica. As máquinas, que representam um investimento de 900 mil euros, utilizam «menos tinta, menos spray de fixação e são mais rápidas, ou seja, têm menor tempo de produção e melhor preço», acrescenta.

A decisão de investir surgiu, segundo Pedro Mendes, de «uma necessidade do mercado», uma vez que as soluções existentes «estavam a ficar um bocado ultrapassadas». Desde fevereiro, a empresa tem registado um crescimento mensal na atividade de estamparia e já atingiu 50% do objetivo definido para o primeiro ano. Além de responder às necessidades da própria produção, a nova unidade de estamparia funciona como prestador de serviços a terceiros, produzindo para outras empresas do setor, sobretudo para o mercado do merchandising, com clientes nas áreas da restauração, música e hotelaria.

A aposta na nova capacidade de estamparia acompanha também uma estratégia de reforço comercial. A Meamstyle marcou presença pela primeira vez na Première Vision, em Paris, após um interregno de cerca de oito anos sem participar em feiras internacionais, tendo estado anteriormente presente em Nova Iorque, Amesterdão e Londres.

«Temos necessidade de fazer a feira para arranjar novos contactos, novos clientes. O mercado está muito flutuante e, por isso, precisamos de trazer mais clientes para dar mais equilíbrio», refere Pedro Mendes. Maria do Carmo Mendes, CEO da Meamstyle, acrescenta que, apesar de a empresa receber contactos comerciais regularmente, a presença física permite apresentar melhor a sua oferta. «Somos contactados todos os dias, todas as semanas temos novos contactos. Mas estar aqui e mostrar é diferente de ser contactado por email», reforça.

A participação permitiu estabelecer contactos com vários mercados europeus e internacionais, nomeadamente Países Baixos, França, Reino Unido, Bélgica e Canadá. Com cerca de 95% da atividade destinada à exportação, Reino Unido e Itália são atualmente os principais mercados da empresa, que tem ainda clientes na Suécia, Canadá, EUA e França.

Margem para crescer

A Meamstyle tem atualmente capacidade produtiva disponível e pretende preenchê-la através da captação de novos clientes e do crescimento das encomendas. «Neste momento temos capacidade a mais para aquilo que temos em mãos, por isso queremos preencher a produção», revela o comercial da empresa, estimando que existe margem para produzir pelo menos mais 50% face ao nível atual.

O volume anual possível depende, contudo, do tipo de artigo produzido. Em produtos básicos, a empresa poderia atingir entre 500 mil e 600 mil peças por ano, enquanto a especialização em artigos mais elaborados reduz o número de peças que é possível produzir. «Fazermos mil peças elaboradas é equivalente a fazer cinco mil básicos. Isso varia muito do tipo de produto que fazemos», ressalta.

A empresa de Barcelos é procurada maioritariamente para produzir peças com maior complexidade técnica, com «mais cortes, mais costuras, mais detalhes, mais modulação, coisas mais trabalhosas», descreve Pedro Mendes. «Todos nos procuram por aquilo que ninguém quer fazer», sublinha Maria do Carmo Mendes.

Com 78 trabalhadores distribuídos por três unidades em Barcelos, a Meamstyle emprega 46 pessoas nas instalações principais, centradas nas malhas, 26 numa segunda unidade, dedicada a tecidos, e seis na instalação de estamparia. A empresa mantém internamente a confeção, estamparia digital e embalamento, recorrendo a fornecedores da região para processos como bordados e outras aplicações.

Atualmente trabalha 100% em private label, depois de a marca própria Meam ter ficado em suspenso desde 2021. Criada há 20 anos, a marca chegou a ter showrooms em Paris e Londres e lojas em Lisboa e Braga. «Está em stand-by. Não fazia sentido. Temos sempre uma dificuldade como produtores em ter uma marca. Estamos no lado da produção», explica Maria do Carmo Mendes. A CEO salienta, contudo, que «nunca me arrependo de ter tido a Meam. Deu-nos imenso conhecimento, experiência e desenvolvimento do produto. Hoje temos a capacidade de desenvolver o que quer que o cliente peça por termos tido a marca».

Recuperação após quebra

Em 2025, a Meamstyle registou uma quebra de faturação face ao ano anterior, desempenho que Maria do Carmo Mendes enquadra num processo de adaptação às alterações do mercado. «O mercado mudou rapidamente. Estávamos à espera de um ano para fazer a adaptação, mas está a demorar mais de um ano. Está a começar agora a estabilizar. E mudou o produto, mudou o consumidor, mudou tudo», afirma a CEO.

Maria do Carmo Mendes não atribui as dificuldades sentidas diretamente aos fatores económicos globais. Na sua perspetiva, «é mesmo a falta de criatividade», considerando que o mercado apresentou repetidamente os mesmos produtos e que «o consumidor perdeu a vontade de comprar».

O primeiro semestre de 2026 ficou «um bocadinho acima» do período homólogo de 2025 e a Meamstyle espera agora uma evolução positiva até ao final do ano, depois de um período marcado por investimento em clientes e desenvolvimento de produto.