A história da Confecções Manuela & Pereira conta-se em poucas linhas, mas o sucesso escreve-se já ao longo de 35 anos. De uma pequena alfaiataria, com apenas 10 pessoas, a empresa fundada pelo casal Manuela e Joaquim Pereira cresceu para uma confeção que emprega atualmente 50 pessoas. Pelo caminho, saiu do centro do Porto para o município de Baião, a cerca de 70 km para o interior, onde pretende manter-se. «Poderia estar sempre noutro local qualquer. Mas só de pensar que poderia mandar para o desemprego cerca de 50 pessoas, já faz com que não pense sair deste local», confessou Manuela Pereira, numa entrevista publicada na edição de janeiro do Jornal Têxtil.
A preocupação com os recursos humanos está no centro do negócio da Confecções Manuela & Pereira. Prova disso é que, diariamente, a empresa conta com um fisioterapeuta que dá conselhos de postura e ajuda no bem-estar dos trabalhadores. «A área do vestuário é muito stressante e, por vezes, as pessoas parecem que andam zangadas», explicou a fundadora. «Andei a estudar diversas situações e surgiu o fisioterapeuta. Está cá há cerca de dois anos e acho que tem resultado. Dá conselhos de postura e exercícios e já fez massagens, por exemplo, às senhoras que estão no ferro», justificou.
O mesmo cuidado é dado a cada cliente, onde constam marcas de gama média-alta, como a Filippa K., dos maiores aos mais pequenos, uma vez que a empresa especializou-se em pequenas séries. «Conseguimos fazer 30 ou 40 peças – a maior parte das empresas não aceita esse género de encomendas», apontou. O know-how acumulado ao longo do percurso permite elaborar qualquer tipo de casaco. «Hoje estamos no mercado graças ao facto de aceitarmos qualquer tipo de encomenda na área dos casacos e sobretudos – todo o tipo de produto mais difícil ou diferente, a nossa empresa faz», assegurou a sócia-gerente da da Confecções Manuela & Pereira ao Jornal Têxtil em janeiro.
Parte do segredo está na organização da produção, que trocou o trabalho em linha por células – um método que permite uma maior polivalência e flexibilidade dos recursos humanos, segundo Manuela Pereira. Além da organização, a Confecções Manuela & Pereira investe todos os anos, no mínimo, 50 mil euros em novas tecnologias, o que mantém a confeção atualizada e automatizada, desde a produção dos moldes ao corte automático, passando ainda pelas máquinas de costura. «As próprias máquinas que existem na produção são bastante automáticas para podermos servir melhor o cliente, mas também para reduzirmos os tempos», explicou.
Produzindo, em média, 4.000 peças mensais, a Confecções Manuela & Pereira exporta diretamente 30% da produção, para países como Bélgica, Espanha, Alemanha e Angola, chegando ainda, de forma indireta, à Suécia, EUA, França e Inglaterra. «A qualidade que pomos no serviço prestado, o cumprimento de prazos, a qualidade-preço e depois a oferta da quantidade de serviços, porque oferecemos ao cliente tudo a partir do momento que ele entrega o desenho: os moldes, as coleções, a produção e a entrega no transitário» são as principais mais-valias da empresa, que depois de ter crescido 30% em 2015, para um volume de negócios de 800 mil euros, quer chegar a um milhão de euros no final do corrente ano e recuperar o estatuto de PME Líder, já obtido em 2014.
A somar à empresa que lidera, Manuela Pereira tem ainda um papel ativo na ANIVEC – Associação Nacional da Indústria de Vestuário e Confecção. «É importante as mulheres fazerem cada vez mais parte da sociedade ativa, em todas as situações», advoga, justificando que o seu objetivo no associativismo é «representar as pequenas empresas».
Quanto à Confecções Manuela & Pereira, que se prepara para alargar as instalações a fim de «criar melhores condições para oferecermos um melhor serviço ao nosso cliente», as metas são sempre reforçar a qualidade e a imagem positiva com que se apresenta no mercado. «Desejo que a minha empresa seja reconhecida pelo seu valor, pela sua capacidade instalada e pela sua forma de estar no mercado», concluiu Manuela Pereira.











