Xinjiang intensifica modernização do setor têxtil

Após pressões internacionais e mudanças no comércio global, a região chinesa está a acelerar a modernização do seu setor têxtil, apostando em fios sintéticos e com misturas, através de novos incentivos governamentais.

[©Esquel Group]

Em 2021, o governo dos EUA promulgou a Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur, destinada a impedir a entrada de produtos provenientes de Xinjiang, que as autoridades alfandegárias norte-americanas consideraram terem sido fabricados, em parte, através de trabalho forçado nesta região autónoma. Desde então, Xinjiang, uma das principais regiões produtoras de algodão da China, tem vindo a apostar na transformação do seu setor têxtil, com atualizações tecnológicas e de equipamentos em fábricas que estão a migrar da fiação de algodão puro para a fiação de misturas, revela o Just Style.

Em julho deste ano, o governo regional de Xinjiang lançou a “New Government Directive [2025] No. 26”, que define nove medidas de apoio à modernização do setor, entre as quais subsídios para a mudança de equipamentos, incentivos à venda direta e apoios destinados a empresas de vestuário e têxteis-lar. «Estes incentivos têm como objetivo aumentar a capacidade de processamento local e integrar Xinjiang de forma mais profunda nas cadeias de abastecimento nacionais», afirma Fan Di, professor associado da Escola de Moda e Têxteis da Universidade Politécnica de Hong Kong.

Fan Di acrescenta que a indústria «também está a modernizar-se, passando da agricultura e moagem tradicionais do algodão para operações inteligentes e digitais, com as autoridades locais a promoverem a adoção de inteligência artificial e internet das coisas para a produção, gestão da cadeia de aprovisionamento e práticas agrícolas sustentáveis entre as empresas têxteis».

Empresas que obtenham certificações nacionais como «fábricas inteligentes», emitidas por agências lideradas pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, podem beneficiar de apoio financeiro adicional, muitas vezes disponibilizado pelos governos regionais, explica o professor. A medida pretende alinhar Xinjiang com as metas mais amplas da China para a produção de alta tecnologia, tornando o setor têxtil mais eficiente, sustentável e competitivo.

Expansão industrial na região

A CCFGroup, empresa de consultoria especializada no mercado têxtil chinês, com sede em Hangzhou, prevê que a produção de fios sintéticos e com misturas em Xinjiang aumente significativamente nos próximos anos, consolidando a posição da região no mercado doméstico. «A transformação do algodão de Xinjiang em produtos acabados dentro da região vai acelerar, reduzindo a quantidade transferida para os centros de consumo do interior. Esta mudança pode exigir revisões das quotas de importação de algodão, incluindo o tamanho das quotas, as regras de aplicação e os métodos de distribuição, para melhor se alinhar com a evolução da procura das fábricas de fiação em todo o país», sublinha o CCFGroup numa análise publicada pelo ChinaTexnet.

Além do impulso tecnológico, Fan Di espera que a indústria têxtil de Xinjiang atraia mais investimento no futuro, sobretudo devido à sua localização estratégica no extremo oeste da China como ponto-chave da Belt and Road Initiative, permitindo um acesso facilitado aos mercados do Afeganistão, Cazaquistão, Índia, Mongólia, Quirguistão, Rússia e Tajiquistão.

«No meio de incertezas como as políticas tarifárias dos EUA, as empresas têxteis chinesas estão a diversificar os mercados de exportação para além dos EUA, para o Médio Oriente, Europa e países da Belt and Road Initiative», salienta Fan Di.

A produtora de vestuário Esquel Group, com sede em Hong Kong, tem reforçado a sua presença em Xinjiang desde 2020, com a instalação de unidades fabris vocacionadas para o mercado doméstico e para parceiros da Belt and Road Initiative. Atualmente, está a construir uma fábrica em Shihezi, no norte da região, equipada com uma tecnologia de tingimento sem água. Marjorie Yang, presidente da Esquel Group, descreve que «Xinjiang oferece o melhor algodão e a energia mais acessível».