O relatório, intitulado “Manifest Risk: New “Air Silk Road” Cargo Flights Carry Risk of Uyghur Forced Labor into Europe”, alerta para o risco elevado de que essas novas rotas originárias de Xinjiang estejam a incorporar produtos provenientes de trabalho forçado nas cadeias de aprovisionamento europeias, desafiando os compromissos da UE e do Reino Unido em erradicar o trabalho forçado das suas importações.
Desde junho de 2024, nove empresas de transporte criaram serviços de transporte aéreo que ligam Ürümchi a destinos como Londres, Bournemouth, Cardiff, Bucareste e Budapeste, em voos diretos, e a cidades como Leipzig, Viena, Zurique e Atenas, em voos com escala.
As mercadorias transportadas incluem têxteis, calçado, eletrónica e produtos agrícolas, setores que têm sido repetidamente associados a práticas de trabalho forçado impostas pelo Estado chinês, aponta o Uyghur Human Rights Project.
«Estas rotas de carga não são apenas desenvolvimentos logísticos, representam uma normalização perigosa do comércio com uma região onde crimes atrozes estão em curso e o trabalho forçado é generalizado. As mercadorias transportadas nestes voos correm um alto risco de serem produzidas através de um sistema de trabalho forçado imposto pelo Estado, que é parte integrante de uma campanha mais ampla de repressão contra os uigures», afirma Peter Irwin, diretor associado de investigação e defesa do Uyghur Human Rights Project.
O relatório argumenta que esta nova dinâmica comercial se integra na estratégia do governo chinês conhecida como Rota da Seda Aérea, uma extensão da estratégia Belt and Road Initiative, que visa posicionar Ürümchi como um «centro logístico central para cargas transcontinentais, integrando a região uigur mais profundamente nos mercados globais».
Henryk Szadziewski, diretor de investigação do Uyghur Human Rights Project, considera que «o compromisso da Europa em erradicar o trabalho forçado das cadeias de aprovisionamento deve ir além das declarações políticas. Deve resultar em ações reais e mensuráveis para interromper os mecanismos económicos que sustentam as atrocidades. Cada mercadoria não inspecionada de Ürümchi representa uma falha em agir e uma potencial violação dos direitos humanos dos uigures».
A organização sublinha que apesar das provas dos crimes cometidos pelo Estado chinês no Turquestão Oriental (referida como Região Autónoma Uigur de Xinjiang pelo governo chinês), as rotas comerciais internacionais da região uigur continuam a operar com um escrutínio mínimo por parte dos legisladores. «Sem uma ação imediata para colmatar as lacunas na aplicação da lei e inspecionar cargas de alto risco, os governos europeus correm o risco de se tornarem cúmplices na perpetuação do trabalho forçado imposto pelo Estado», ressalta o Uyghur Human Rights Project.
O relatório denuncia a passividade dos governos europeus face a provas documentadas de repressão cultural e religiosa e exploração sistemática através de trabalho forçado. «Anos após terem surgido provas de internamento em massa, trabalhos forçados e outros abusos graves contra os uigures, os governos europeus ainda não tomaram as medidas necessárias para bloquear o fluxo de mercadorias ligadas a esta repressão», afirma Omer Kanat, diretor executivo do Uyghur Human Rights Project.




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