Siena prevê crescer até 15% em 2025

A empresa de confeção antecipa um ano de crescimento, graças a um contexto de maior estabilidade. O futuro está a ser preparado com novos investimentos na área da digitalização.

Ricardo Ferreira

A redução da incerteza nos mercados relativamente ao abastecimento e preço das matérias-primas faz com que as perspetivas para o negócio da Siena sejam, este ano, mais positivas do que em 2024, prevendo um aumento entre 10% e 15%. «Este ano foi melhor», assumiu Ricardo Ferreira, administrador da empresa, durante a última edição da Première Vision, em Paris. «Conseguimos ter uma maior regularidade e não tivemos tantas más surpresas», justificou.

Com cerca de 100 colaboradores distribuídos entre a unidade industrial e a área comercial, a empresa mantém a estratégia de crescimento moderado, privilegiando a sustentabilidade da operação. «O nosso foco é manter o negócio estável e sustentável. Não queremos crescer demasiado para depois lidar com o revés da medalha», sublinhou Ricardo Ferreira.

As exportações abrangem praticamente toda a Europa, com os EUA a representarem cerca de 10% do volume de vendas. As recentes alterações ao nível tarifário poderão abrir novas oportunidades no mercado norte-americano, acredita. «Há países onde as tarifas foram bem superiores às nossas», pelo que «há situações em que vamos poder ser mais competitivos nos EUA. Há a possibilidade de melhorarmos», reforçou o administrador.

A empresa continua a apostar na diversificação de segmentos, atuando no médio-alto, activewear e vestuário profissional, área em que pretende reforçar capacidade. «A ideia é diversificar o mais possível e abarcar o maior número de nichos», justificou Ricardo Ferreira.

Enfrentar os desafios

A pensar no futuro, a Siena está a intensificar o investimento em infraestruturas digitais, com upgrade da rede interna, modernização de software e preparação para integrar ferramentas de inteligência artificial aplicadas à gestão, ao design e ao desenvolvimento de produto. «Temos de estar preparados», resumiu o administrador da empresa, que vai igualmente avançar com a adoção de soluções de modelação 3D.

Apesar do desempenho positivo da Siena, o administrador demonstra preocupação com o futuro da indústria têxtil e do vestuário portuguesa, marcado pela dificuldade em atrair jovens e pela redução da população ativa. «É difícil substituir para as novas gerações, a indústria não é atraente para os jovens», afirmou, admitindo recear um cenário de colapso do setor «daqui a 10 anos» caso não haja renovação.

As críticas mais incisivas de Ricardo Ferreira direcionam-se às plataformas de ultra fast fashion, como Shein e Temu, que considera um risco significativo para a competitividade do setor têxtil europeu, motivo pelo qual a empresa se associou a uma iniciativa da ANIVEC em Bruxelas para travar o crescimento sem regras destas plataformas.

«Trazem uma distorção da perceção do valor que o consumidor tem por estas coisas. Pode significar o fim de muitos negócios», sublinhou, acrescentando que estas operações têm ainda impactos ambientais, sociais e fiscais significativos. «Há uma completa isenção de impostos, ao nível ambiental é gravíssimo e ao nível social o que se passa nesses países é incontrolado. É completamente desregulado e desleal», concluiu.

Ricardo Ferreira e Sílvia Machado (à esquerda) na visita do Secretário de Estado da Economia à Première Vision em setembro de 2025