Primark anuncia avanços na sustentabilidade

A retalhista irlandesa publicou o seu quarto relatório de sustentabilidade, revelando melhorias na utilização de materiais preferíveis, no design circular, na redução de emissões e reforço da rastreabilidade, ao mesmo tempo que intensificou os programas sociais.

[©Primark-Neil Bedford]

No “Relatório de Progresso sobre Ética e Sustentabilidade 2024/2025”, a Primark afirma que 74% das peças de vestuário já incorporam fibras recicladas ou de «origem mais sustentável», oito pontos percentuais acima do ano anterior, das quais 39% recorrem a fibras recicladas. Já o algodão orgânico, reciclado ou proveniente do seu “Cotton Project”, o programa de formação para os produtores de algodão da cadeia de aprovisionamento da retalhista, representa 57% do vestuário comercializado.

No domínio da economia circular, 5% dos artigos são desenvolvidos segundo princípios que facilitam a reciclagem no fim de vida, valor que sobe para 20% no caso das malhas e 8% no denim. A empresa concluiu o primeiro ano completo de testes de durabilidade aplicados a denim, meias e malhas, com 77% das peças de denim e malhas e 69% das meias a atingirem o nível “aspiracional”, ou seja, mantendo a qualidade após 45 lavagens.

Lynne Walker, diretora da Primark Cares, sublinha que «as pessoas procuram a Primark pela excelente relação qualidade/preço e pelos artigos essenciais do dia a dia que são feitos para durar. Quatro anos depois, provámos que não é preciso escolher entre sustentabilidade e preço», admitindo a «enorme responsabilidade enquanto marca global» e reconhecendo «que há sempre mais a fazer, mas o relatório deste ano mostra que os nossos esforços, assim como os dos nossos fornecedores e parceiros, já estão a gerar mudanças significativas. Continuamos a aprender à medida que recolhemos dados e promovemos colaborações no setor, ambas cruciais para alcançarmos os nossos objetivos nesta área».

A retalhista reporta também uma redução global de 5,7% das emissões de gases com efeito de estufa face a 2019, com quebras de 71% nas emissões dos âmbitos 1 e 2 e de 4% no âmbito 3. A Primark refere ter integrado 97 fábricas do Bangladesh, China e Índia no seu programa de eficiência de recursos, que visa «apoiar os fornecedores a reduzir o consumo de energia, água e produtos químicos, bem como as emissões de gases com efeito de estufa e custos». A nível logístico, quase um quinto do transporte marítimo passou a ser realizado com recurso a misturas de biocombustível e 98% das deslocações entre portos e centros de distribuição utilizaram combustíveis de baixo carbono. Além disso, a retalhista irlandesa indica que todos os fornecedores de vestuário, têxteis e calçado aderiram ao programa de rastreabilidade da cadeia de aprovisionamento.

No plano social, cerca de 1.400 trabalhadores receberam formação em práticas de compra responsáveis e mais de 300 fábricas foram abrangidas por iniciativas de saúde e bem-estar. A empresa destaca o lançamento de uma coleção de vestuário adaptado, criada com a designer Victoria Jenkins, e a doação de mais de 3 milhões de euros a instituições e parceiros comunitários, complementados por 1,9 milhões de euros angariados junto dos clientes.

A Primark anuncia estar a «rever a sua estratégia de sustentabilidade» para acompanhar a «evolução da legislação e as expectativas dos clientes», prevendo atualizações adicionais ao longo do próximo ano.