Primark pode estar a caminho da independência

A Associated British Foods, que registou uma descida no volume de negócios do ano fiscal de 2025 devido ao negócio alimentar, anunciou estar a preparar uma revisão da estrutura do grupo, podendo separar a Primark dos restantes negócios.

[©Primark]

O volume de negócios total recuou 3% a câmbios atuais (menos 1% a câmbios constantes), para 19,46 mil milhões de libras (cerca de 25,4 mil milhões de euros), face a 20,07 mil milhões em 2024. O lucro operacional ajustado desceu 13% para 1,73 mil milhões de libras, enquanto o lucro antes de impostos caiu 26%, para 1,41 mil milhões.

Entre as principais razões para esta quebra estiveram a menor rentabilidade do negócio do açúcar e o impacto de reestruturações e imparidades, num total de 188 milhões de libras.

No segmento de retalho, que inclui a Primark, as vendas cresceram 1%, atingindo 9,5 mil milhões de libras, e o lucro operacional ajustado subiu 2%, para 1,1 mil milhões de libras. A retalhista destacou a boa execução na abertura de novas lojas na Europa e nos EUA e uma recuperação nas vendas no Reino Unido na segunda metade do ano.

No comunicado de divulgação de resultados, a Associated British Foods (ABF) revela que o seu conselho de administração iniciou uma revisão da estrutura do grupo, que «pode levar a uma separação dos negócios da Primark e da área alimentar». O processo decorre em consulta com o maior acionista da ABF, a Wittington Investments, que «mantém o compromisso de conservar a maioria do capital de ambas as empresas».

George Weston, CEO da Associated British Foods, salienta que «este foi um ano de intensa atividade estratégica e operacional dentro da ABF» e que «a maioria dos negócios apresentou resultados financeiros sólidos, apesar de um contexto externo desafiante».

Sobre a Primark, destaca que «a melhoria no desempenho no Reino Unido na segunda metade do ano foi encorajadora e reflete um foco renovado na nossa proposta de valor, uma oferta de produto mais forte e capacidades digitais reforçadas».

George Weston reconhece, contudo, que «há mais a fazer em alguns mercados europeus», garantindo, contudo, que «existem planos em marcha» e que «há ainda muito espaço para crescer». De resto, aponta, o «programa de abertura de lojas vai continuar na Europa, nos EUA e através do modelo de franchising, devendo contribuir com cerca de 4% para o crescimento das vendas em 2026».

Em relação a uma eventual separação dos negócios, o CEO afirma apoiar «totalmente a revisão da estrutura do grupo e estarei envolvido de perto no processo e em qualquer resultado. Dentro da ABF temos dois grandes negócios, mas uma única cultura de criação de valor a longo prazo. […] A Primark tem uma marca internacional incrivelmente forte, uma proposta poderosa para o consumidor e substanciais oportunidades de crescimento. Estou muito entusiasmado com o que podemos alcançar no futuro, tanto para a área alimentar como para a Primark», reforça.

Já Michael McLintock, presidente da ABF, sublinha que a decisão visa garantir o melhor enquadramento para o futuro das duas áreas de negócio. «Dada a escala que a Primark atingiu e a necessidade de uma melhor compreensão dos nossos negócios alimentares, estamos a realizar uma análise aprofundada sobre se uma separação seria a melhor estrutura para os próximos anos», indica, prometendo «atualizar o mercado assim que for possível fornecer mais detalhes».

Apesar do contexto económico incerto, a ABF prevê crescimento no lucro operacional ajustado e no lucro por ação ajustado no próximo exercício fiscal. «Estamos confiantes nas perspetivas do grupo para 2026, embora muito dependa do ambiente do consumo, que atualmente é muito imprevisível. O nosso forte balanço confirma um investimento disciplinado, à medida que continuamos a construir marcas e negócios que vão entregar crescimento no longo prazo», resume George Weston.