«Portugal ser um dos pioneiros é, desde já, uma vantagem a nível competitivo»

Para 2024, os desafios da Valérius 360, revela a CEO Patrícia Ferreira, estão concentrados no pós-consumo e na reciclagem química, onde a empresa pondera investir.

Patrícia Ferreira

A mais jovem das empresas de reciclagem em Portugal – foi fundada em 2017 – tem procurado desenvolver a sua capacidade produtiva, tanto na reciclagem para a têxtil como para o papel, com o objetivo de ser uma referência para as marcas que querem um modelo de negócio circular.

Como é que correu o ano para a Valérius 360?

Consideramos que foi um ano mediano, sentimos que cada vez mais há clientes que procuram os fios reciclados, assim como projetos para a realização dos pós-consumo, mas que ainda há muita desinformação e que há clientes que só irão fazer as mudanças para fios reciclados mais perto das datas estipuladas pelo management das mesmas para essa transformação.

Qual foi o volume de produção de fibras e fios reciclados?

Aumentamos a produção relativamente ao ano de 2022 – produzimos cerca de 180 toneladas/ano, mas ainda estamos em fase de crescimento.

Tem havido uma maior procura por produtos reciclados?

Sim, sentimos que as marcas e os designers se têm focado muito mais nos processos sustentáveis para as produções das suas coleções, conduzidos, claro, pelas metas objetivadas por cada marca e indo também ao encontro da futura regularização, mas sentimos que se os clientes finais pedem, as marcas não têm outra hipótese se não fazer, se não irão perder quota de mercado.

Qual é atualmente a capacidade produtiva da Valérius 360?

Atualmente é de 6 toneladas por dia. Até ao final do ano vamos passar para 8 toneladas/dia.

Como é que a empresa tem evoluído na área da reciclagem pós-consumo?

Já fizemos vários desenvolvimentos. No início correu menos bem e tivemos bastantes prejuízos, mas agora já temos desenvolvimentos bastante bons. Mas ainda é uma área com muito por explorar e que certamente será de interesse para nós.

Este ano fizeram investimentos?

Os investimentos foram principalmente em desenvolvimento de produto, que é bastante dispendioso, mas será sempre o nosso foco, para que a qualidade seja a mais elevada possível, tanto a nível do fio, mas também na unidade de papel.

E estão a planear outros investimentos para 2024?

Sim, investimentos em novas máquinas e melhorias nas máquinas atuais para a reciclagem.

Tem havido vários desenvolvimentos na área da reciclagem química. É algo que estejam a ponderar?

Temos um projeto no âmbito do PRR com o CITEVE e outras entidades relevantes na área que nos está a permitir estudar a reciclagem química e um possível investimento na mesma.

Quais foram os maiores desafios para a empresa no ano passado?

A flutuação do mercado será sempre o maior desafio. Não ter um planeamento de encomendas a longo prazo faz com que tenhamos que estar sempre atento a novas oportunidades e a reinventar o negócio já existente.

E para 2024, que desafios e oportunidades antevê?

Acredito que o pós-consumo é uma área muito grande para explorar em 2024, assim como a reciclagem química. Serão duas oportunidades que temos de começar a investigar e a investir para dar frutos no futuro. Os desafios estarão relacionados com as oportunidades, uma vez que não serão áreas fáceis, e teremos de continuar a investir ao nível do desenvolvimento do produto e de I&D.

Que análise faz da evolução da reciclagem em Portugal e no mundo?

Penso que Portugal tem feito avanços significativos nesta área e que seremos um país pioneiro, a nível de hubs de reciclagem, o que nos vai permitir ser mais competitivos comparativamente aos nossos países concorrentes. Penso que a regulação que se avizinha vai levar a um aumento de investimento nesta área no mundo em geral, assim como a um aumento da sua inserção nas encomendas. Portugal ser um dos pioneiros é, desde já, uma vantagem a nível competitivo e vai permitir que a nossa qualidade esteja acima da média do resto do mundo.