Catarina e Rui Gomes, proprietários da empresa, explicaram à Lusa que a pequena coleção está em produção e vai ter no máximo 700 peças, para contrariar a ideia de massificação. Com chegada prevista ao mercado em setembro, cada artigo – um total de sete modelos para senhora e três para homem, estando cada modelo limitado a 50 peças – será numerado e terá informação sobre o «que já foi noutra vida».
«É uma microcápsula, para não haver desperdício. Se tiver o privilégio de voltar a receber a peça, é dado um desconto de 20% na aquisição da próxima, um incentivo para nos devolverem a velha, para a estudarmos e lhe darmos nova vida», explica Catarina Gomes.
No fundo, realça Catarina Gomes, «queremos consciencializar as pessoas que é possível andar na moda, ter um produto muito giro, com a garantia de que vai voltar a ser reciclado, numa lógica de comprar uma camisola, saber que é feita com fio reciclado, comprar porque se gosta, mas também por saber o que lhe vamos fazer quando já não a utilizar». Até porque, afirma, «a ideia não é o lucro, mas consciencializar que o reciclado faz moda bonita».
Catarina Gomes revela ainda que a equipa está já a pensar na próxima coleção, para a primavera/verão, assente num conceito vegan, aproveitando os recursos existentes, nomeadamente o fio vegan reciclado certificado que desenvolveu.
Com duas fábricas no concelho da Covilhã, em Canhoso e Tortosendo, no distrito de Castelo Branco, a J Gomes recicla anualmente uma média de dois milhões de toneladas de desperdício têxtil, um número que este ano deverá chegar três milhões de toneladas.
