ITV dá sinais de recuperação

Embora a incerteza continue a dominar, os reduzidos cancelamentos de encomendas, os níveis estáveis de stocks e uma melhoria do sentimento em áreas como a fiação são indícios de retoma na indústria têxtil e do vestuário.

Os dados do 30.º inquérito trimestral da International Textile Manufacturers Federation, realizado em janeiro, mostra um sentimento de otimismo cauteloso na indústria têxtil e do vestuário, com melhorias em diferentes regiões e segmentos. Embora o saldo global dos negócios ainda seja negativo, situando-se nos -15 pontos percentuais, a tendência tem vindo a melhorar desde novembro de 2024, indica um comunicado da ITMF, citado pela Fibre2Fashion. Destaque para a América do Sul, que registou um saldo positivo de +21%, refletindo uma dinamização significativa na região. Na confeção de vestuário, o saldo também passou para terreno positivo, alcançando +3%.

As perspetivas para os próximos seis meses são ainda mais animadoras, com 43% dos inquiridos a preverem uma melhoria das condições. Este aumento de confiança levou o saldo global das expetativas a atingir 29%. A América do Sul e os produtores de fios lideram esta tendência positiva, com saldos de 46% e 45%, respetivamente.

A entrada de encomendas continua a recuperar, com os dados de janeiro de 2025 a indicarem um saldo de -6%, após 14 meses consecutivos de progressos. O Sul da Ásia e a América do Sul demonstram um desempenho positivo significativo, enquanto o segmento de têxteis-lar é o único a apresentar um saldo positivo globalmente. Paralelamente, o tempo médio de encomendas pendentes aumentou para 2,5 meses, com a América do Norte e Central a registar um período superior, de 2,9 meses, o que aponta para uma maior procura, apesar das preocupações persistentes.

No entanto, vários desafios continuam a afetar a indústria, aponta a ITMF. A taxa de utilização da capacidade produtiva desceu para 72%, ainda que permaneça acima dos valores mínimos anteriores. O inquérito destaca ainda preocupações constantes com a fraca procura global e os riscos geopolíticos, além dos elevados custos de energia e das matérias-primas. Apesar destas dificuldades, os cancelamentos de encomendas têm-se mantido baixos e estáveis e os níveis de inventário não sofreram alterações significativas.