O autor deste artigo, publicado no site especializado Just-style.com, começa o mesmo afirmando adorar tudo em Itália: o seu povo, as suas cidades, a sua comida e cultura.
E prossegue, dizendo que, em termos de moda, adora as tendências obsessivas dos estilistas e industriais do sector em Itália, nomeadamente o seu empenho na qualidade e a aposta em padrões que parecem há muito ter desaparecido em outros países.
Olhando para o panorama geral do mercado italiano da moda e vestuário, constatamos que, mais do que qualquer outra nação na Europa Ocidental, a Itália foi fortemente atingida pela forte ascensão da China.
Porquê? Porque ao contrário de muitos dos seus vizinhos, este ainda é um país essencialmente industrial.
Com efeito, desde 2001, a indústria dos têxteis e vestuário italiana perdeu mais de 5,2 mil milhões de euros, em termos de valor, tendo igualmente registado a eliminação de 66.000 postos de trabalho neste sector.
Em 2004, as exportações para a Alemanha, o principal mercado de exportação da ITV italiana, decresceram 3,2% em valor, enquanto as vendas para os Estados Unidos diminuíram 2,6%.
Segundo as últimas projecções, o ano de 2005 vai acentuar ainda mais esta tendência de quebra nas exportações transalpinas de têxteis e vestuário.
No entanto, este artigo aponta também algumas razões pelas quais a indústria italiana deve manter um espírito optimista.
Analisando as estatísticas do comércio externo de Itália, vemos que os números relativos a 2004 podem ser algo enganadores. No ano passado, a Itália foi fortemente prejudicada pelas desfavoráveis taxas de câmbio, e quando convertidos em dólares norte-americanos, concluímos que, na verdade, as exportações deste país para os E.U.A. cresceram na realidade mais de 7%. Por outro lado, o Reino Unido manteve-se como um bom mercado para os produtos têxteis e vestuário italianos, com as exportações a crescer 2,7% em 2004. Como os consumidores britânicos dão um grande ênfase à qualidade dos produtos, a Itália é naturalmente um dos fornecedores privilegiados, pelo que este país deve continuar a ser uma das principais apostas dos fabricantes transalpinos. Uma outra razão para manter o optimismo é que, apesar de tudo, o Made in Italy continua ainda uma imagem muito forte. Os consumidores chineses mais abastados continuam a apreciar bastante os produtos italianos, tal como os japoneses, e os italianos devem assim focar os seus esforços de marketing na promoção do “Made in Italy” nos mercados da Ásia e na Rússia também, refere o artigo do Just-style.com. Outro dos caminhos a seguir pela indústria do vestuário em Itália passa pela continuação da aposta no design e na inovação. Apesar dos fortes avanços registados pelos fabricantes chineses neste campo nos últimos anos, ainda levarão vários anos para apanhar os italianos, que devem apostar de forma obsessiva nas suas grandes forças, deixando a produção em massa passar para a China e apostando nos artigos de gama alta, reforçando ao mesmo tempo o carácter quase artesanal e os acabamentos manuais, cada vez mais valorizados num mundo dominado pelo fabrico massificado.A rápida resposta às solicitações dos compradores é outro dos aspectos apontados nesta análise. Segundo esta, as empresa italianas devem aumentar o número de colecções intermédias, e ao mesmo tempo reduzir os prazos de entrega, melhorando assim as suas capacidades para aproximar a moda italiana dos mercados internacionais e repor a mercadoria com maior frequência. Finalmente, o artigo em questão deixa uma última recomendação aos profissionais do sector em Itália: manter o pensamento positivo! Esta sugestão pode ser posta em prática pensando que a China, em vez de uma ameaça aos têxteis e vestuário italianos, pode e deve ser vista como um enorme mercado consumidor, com forte apetência para os artigos de luxo que as empresas e marcas transalpinas tão bem produzem.











