O toque de um tecido sempre foi uma propriedade que fascinou desde o mais erudito cientista até ao mais leigo homem comum. Afinal, a seguir à visão, o tacto é o segundo sentido que dita a preferência do consumidor por um artigo têxtil em detrimento de outro.
Nos últimos 30 anos, inúmeros cientistas e investigadores por todo o mundo procuraram construir a máquina ideal para medir o toque de um tecido, sendo a mais conhecida entre elas o sofisticado sistema Kawabata. Mas a junção das mais avançadas tecnologias mecânicas, electrónicas e informáticas não foi suficiente para substituir o tacto humano. Hoje, o Laboratório de Física e Mecânica Têxtil (LPMT) da Universidade da Alta Alsácia, em França, percorre um caminho bem menos sofisticado mas não menos complexo, e sobretudo mais eficaz. Esquecendo sensores, tensores e outras tecnologias de ponta, o LPMT decidiu utilizar como instrumento a mão humana. Centenas delas. «Lançámo-nos como desafio medir o toque sem recorre a qualquer aparelho que represente a percepção do ser humano», revela Laurence Schacher, directora-adjunta do LPMT. «Restou-nos, então, a ideia de utilizar o próprio ser humano como instrumento». Embora esta ideia não seja propriamente original, pois é prática corrente nas indústrias alimentar e cosmética, tendo já sido aplicada por conceituadas marcas como Nestlé, LOreal e Dior, é completa novidade no sector têxtil. «Essas indústrias consideram que o melhor instrumento de medida é o ser humano, já que é o destinatário do produto final. Levam em conta, todavia, que as pessoas não são clones, apresentando algumas características comuns e outras totalmente distintas», explica Laurence Schacher. «Deste modo, procurámos aplicar a metodologia utilizada para os sentidos do paladar e do olfacto ao nível do toque dos materiais têxteis». Para tal, a equipa de investigadores levou a cabo um vasto conjunto de testes às cegas, em que um grupo de pessoas foi treinado para ser capaz de exprimir por palavras a sensação sentida ao tocar um determinado tecido. As ferramentas estatísticas avançadas foram indispensáveis para a extracção da informação, de formar a garantir a reprodutibilidade, repetibilidade, fiabilidade e precisão do método adoptado.«Esta técnica é já aplicada no sector automóvel pelos grupos Renault, Fiat e Peugeot, onde o toque dos tecidos já faz parte do caderno de encargos, e no sector do vestuário, como por exemplo pelo grupo Sara Lee no domínio da lingerie», afirma a directora-adjunta do LPMT. «Trata-se de uma excelente ferramenta de trabalho para o desenvolvimento de produto, permitindo validar os produtos existentes, assim como para o controlo da qualidade».











