Heliotextil leva rastreabilidade a novos territórios

A empresa está a desenvolver uma plataforma digital para identificação e rastreabilidade de produtos, com aplicações que vão do passaporte digital à gestão de vestuário profissional, ao mesmo tempo que está a aumentar a capacidade na área da personalização de produtos.

Miguel Alberto Pacheco

A Heliotextil está a alargar a sua aposta na tecnologia com o desenvolvimento da Trace4Gear, uma plataforma própria de identificação e rastreabilidade de produtos, que foi apresentada na Techtextil, em Frankfurt, em abril passado. A solução pretende responder às exigências do futuro passaporte digital do produto, mas também disponibilizar funcionalidades de gestão e comunicação adaptadas às necessidades dos clientes.

«Não é só passar a informação ao cliente, mas ter aqui uma ponte de interação», explica Miguel Alberto Pacheco, diretor operacional de impressão da Heliotextil e representante da terceira geração da empresa familiar.

A plataforma está a ser desenvolvida com uma arquitetura modular, que permitirá integrar diferentes funcionalidades, desde a identificação individual de artigos até à gestão de stocks ao longo da cadeia de aprovisionamento. Entre as aplicações previstas está o controlo de vestuário profissional em empresas de aluguer de fardamentos e lavandarias industriais, permitindo identificar cada peça, associá-la ao respetivo utilizador e acompanhar os processos de recolha e lavagem.

Outra funcionalidade é o rastreamento de produtos, através de um módulo específico que poderá ser aplicado também a artigos não têxteis, nomeadamente para localização e recuperação de objetos perdidos.

O conceito, que está a ser testado e desenvolvido com projetos-piloto, deverá ser validado até ao final de 2026. «Gosto muito de falar com clientes porque eles são muito práticos, já têm os desafios definidos, o que é que precisam. E é muito interessante desenvolvermos já com base nisto e termos estes projetos-piloto», afirma Miguel Alberto Pacheco, que na altura destacava a recetividade positiva dos potenciais clientes, alguns dos quais já manifestavam interesse em começar a utilizar a plataforma.

Desenvolvida internamente, com parceiros portugueses envolvidos na preparação das aplicações, a Trace4Gear foi concebida para funcionar também com identificadores de outros fornecedores, desde que certificados pela Heliotextil. A plataforma poderá ainda ser integrada com os sistemas ERP das empresas, adaptando-se às estruturas tecnológicas já existentes.

O projeto representa uma evolução da experiência acumulada pela Heliotextil na identificação eletrónica, nomeadamente com tecnologias NFC e plataformas de gestão de eventos e controlo de acessos. A empresa está agora a procurar alargar estas competências à gestão de informação e ao acompanhamento dos produtos ao longo da sua utilização.

Em paralelo, desenvolveu um transfer que integra, num único elemento, informação serializada, um código QR individualizado e tecnologia NFC. «Diria que é o transfer mais complexo que já produzimos», reconhece o responsável, sublinhando a conjugação de diferentes tecnologias num único suporte de identificação.

Investimento na personalização

Outra aposta da Heliotextil passa pelo reforço dos serviços de personalização de peças acabadas, que inclui um novo espaço industrial destinado à receção e processamento de artigos enviados pelos clientes, com instalação de prensas e áreas de armazenamento, controlo de qualidade e embalamento.

Uma atividade que a Heliotextil já desenvolvia, mas numa escala mais reduzida, e que pretende ampliar, passando a assumir um conjunto mais alargado de operações, desde a produção e aplicação de elementos decorativos até à preparação e expedição dos artigos.

«Neste momento, o mercado importa muito o produto, mas não o importa totalmente processado. Importa t-shirts, mas as decorações são realizadas mais localmente», observa Miguel Alberto Pacheco, justificando a aposta num serviço que permite às marcas e aos fornecedores personalizar os artigos numa fase posterior à sua produção.

Esta estratégia complementa a oferta tradicional de etiquetas, elásticos, passamanarias, transfers e emblemas, que a empresa tem vindo a orientar para aplicações cada vez mais técnicas.

Na Techtextil, a Heliotextil apresentou elásticos de alta visibilidade, artigos com acabamentos de silicone para melhorar a aderência e uma linha de produtos ignífugos, destinados nomeadamente ao vestuário de proteção contra incêndios e a aplicações militares. Entre as novidades esteve também a coleção seamless bonding tape, composta por fitas elásticas com propriedades termoadesivas, que permitem criar acabamentos tridimensionais, disfarçar costuras ou mesmo substituí-las em determinadas aplicações. A oferta incluiu ainda transfers com resistência à lavagem industrial, propriedades refletoras e acabamentos ignífugos, assim como emblemas que combinam diferentes tecnologias de impressão, tecelagem e bordado.

«Temos habitualmente uma indústria muito concentrada na têxtil e uma muito concentrada na impressão. Ao juntar as duas [na Heliotextil], conseguimos ter produtos que são muito diferenciados no mercado», resume Miguel Alberto Pacheco.

A empresa mostrou também novos artigos com propriedades ignífugas e tintas com características específicas no domínio dos infravermelhos, procurando oportunidades em aplicações relacionadas com a segurança.

Expectativas positivas

Os mercados internacionais representam mais de 50% do negócio da Heliotextil, com a Europa e a América do Sul a destacarem-se como principais destinos. Depois de um 2025 que Miguel Alberto Pacheco classifica como desafiante, devido a alterações na procura, a Heliotextil entrou em 2026 com expectativas positivas, sustentadas pelo reforço comercial e pelos novos desenvolvimentos.

Stand da Heliotextil na Techtextil 2026

Entre os produtos que têm contribuído para o crescimento está o Supertex, um emblema que combina uma base têxtil sublimada com acabamentos em transfer de alta definição, destinado sobretudo à personalização de equipamentos desportivos. Segundo o diretor operacional de impressão, o produto registou um crescimento muito significativo em 2025, uma evolução que a empresa esperava prolongar em 2026.

«Penso que o investimento que temos feito na parte comercial, no reforço da área comercial, tem dado frutos», considera. «Estou convicto que este ano teremos um ano bom por estes investimentos que temos feito e como resultado dos projetos em que temos avançado e dos produtos novos que temos apresentado ao mercado», conclui Miguel Alberto Pacheco.