Questionário:
1- O que se avalia numa colecção?
2- O que têm os portugueses neste âmbito?
3- O que falta?
4- Houve uma evolução nos últimos anos?
5- É necessária, ou indispensável a comercialização/ rentabilização da colecção, e o eventualmass-market?
6- Faz sentido o esforço de constituir uma parceria com uma empresa?
7- E os dois dias do P.Fashion, um para a indústria e outro para os criadores?
8- São indispensáveis as iniciativas de divulgação Moda LX e P.Fashion?
9- Temos consumidores para a moda de autor?
Relações Públicas do Grupo Ayer
Parceriasessenciais
1- Todas as pessoas, incluindo as com pouco poder de compra, já dispõem de toda a informação para decidir uma compra de uma peça de vestuário com dois euros já se compra uma revista onde venha moda. Hoje em dia há várias tendências e várias alternativas para comprar uma peça de roupa, e a que for mais apelativa e bem feita será a escolhida. Há partes da colecção no desfile que devem ser usáveis e há partes que serão a «alma da colecção»; deve haver um cheirinho de loucura e as restantes peças que serão mais usáveis.
2- Alguns dos criadores nacionais têm as características mencionadas, juntamente com a criatividade e o profissionalismo, mas há os que também as têm mas não dispõem de capacidade financeira para estrutura uma colecção ou aparecer nos desfiles. É uma actividade que exige um suporte financeiro avultado, para criar, desfilar e depois ter produção para vender e para satisfazer encomendas e prazos.
3-Falta a sustentabilidade e continuidade do investimento na promoção dos criadores. Há uns anos atrás a Espanha investiu muito nos seus criadores, e de uma forma continuada. Agora eles estão em todo o lado, a oferecerem qualidade, preço e design. Se a nossa indústria de vestuário é tão importante para o país, devemos apoiá-la e de uma forma continuada.
4- Sim, e de que maneira! E com estas parcerias dos criadores e da indústria através do Portugal Fashion evoluiu-se muito.
5-É indispensável, senão é estar a fazer roupa para os amigos. E há autores que estão a utilizar apasserelle para promover a sua loja. Os criadores devem tentar ir mais longe, passar do ateliê para a loja e tentar internacionalizar-se.
6- Faz todo o sentido. Há criadores que sem as parcerias já tinham saído do mercado e com estas a ITV nacional também se tem actualizado. Temos óptimos exemplos de sucesso das parcerias.
7- Sim, mas é preciso informar o público dessa iniciativa, pois pensam que é tudo a mesma coisa e depois lhes agrada, sobretudo o dia das marcas das empresas. E os desfiles individuais no estrangeiro também foram uma boa aposta.
8-Acho que sim, pois na empresa onde trabalho temos várias representações de conhecidas marcas e vende-se tudo. Eu visto frequentemente peças de autores portugueses e as pessoas no estrangeiro perguntam-me de quem é e onde as comprei. Mas também é preciso alerta-los para a necessidade de aumentarem a sua oferta, pois já me aconteceu ir a uma loja de um autor nacional, gostar de algumas peças, mas depois de as experimentar não consegui nenhuma. Falta produzir mais tamanhos.
Faltamlojas
1- O aspecto criativo, a inspiração, o modo de trabalhar os materiais, o trabalho manual o valor da mão é muito importante , o facto das peças serem exclusivas, a junção das cores, os efeitos de decoração, o comunicar uma ideia para aquela estação nos tecidos, nos desenhos, no corte, na textura, na modelagem. E passar uma ideia própria do universo pessoal do criador. A colecção também deve ser vestivel, mas inicialmente é natural que as propostas sejam mais estéticas, é um bom exercício de início de percurso do estilista. Se as ideias tiverem valor é mais importante nessa altura do que ser vestivel.
2- São muito criativos, e todos têm percursos individuais definidos, são autodidactas, com um cunho de luta pessoal e passaram por várias fases, muito interessantes nos seus universos pessoais, e com cuidados em todas as vertentes da apresentação das suas colecções, como a maquilhagem, a iluminação, etc. Apresentam algumas influências dos nomes com mais história, e algumas influências dos japoneses. Há sempre uns mais técnicos e uns mais criativos. E há qualidade.
3- A colocação das peças no mercado, ou seja, a fase do retalho. Falta acrescentar ao trabalho de ateliê e de show-room uma loja para os trabalhos alternativos. Falta divulgação, falta publicidade. Os criadores não tem disponibilidade financeira para esse investimento e falta a exposição dos trabalhos para além das revistas. As lojas multimarca não são uma boa solução para este efeito.
4-Sem dúvida. A partir de meados da década de 80 tudo evoluiu muito, há um movimento de moda com pioneiros de referência. Com a Moda LX começa a haver mais destaque e depois o Portugal Fashion consegue trazer outros nomes. Depois a existência de mais cursos, mais escolas, e mais inscritos em design de moda, mais agências de manequins, houve um crescimento em todas as áreas.
5- A comercialização é necessária, pois só assim se pode evoluir e continuar a trabalhar. O financiamento da próxima colecção está dependente do sucesso comercial da actual.
6- Faz sentido e há parcerias que têm sido interessantes para ambas as partes. A indústria já esteve demasiados anos de costas voltadas para os designers.
7- Faz sentido se forem separados, não se podem misturar.
8-Sim. O Portugal Fashion tem uma vocação de internacionalização e de ligação às empresas, e pode continuar a ser um bom veículo para estes dois objectivos.
9-Temos. Não são muitos, mas temos. Há autores que já tem uma clientela fiel. E não são apenas os primeiros. Estive a entrevistar a Katty Xiomara em Lisboa e apareceram três adolescentes a pedirem-lhe autógrafos. Todos os criadores, desde os mais novos aos mais velhos, já têm uma clientela fiel. Só é pena que alguns ainda não tenham lojas. Há pessoas que continuam à procura de Luis Buchinho em Lisboa, onde ele não tem loja, já é quase um mito, pois as pessoas gostam muito dele e ele continua a trabalhar apenas no norte. Falta a loja para chegar ao consumidor.

Isabel Costa *Editora da Lux Woman
Espectáculoemarketing
1-A inovação, tanto no corte como nos materiais. Não tem de ser propriamente num coordenado com um cilindro de um novo plástico, pode ser uma recriação de materiais do passado, tratados e renovados. Depois a peça tem de ser vestivel e comercializável. Um desfile deve aliar a componente de espectáculo, mantendo-nos interessados durante aqueles 20 minutos, e não mais de 20 minutos, à posterior comercialização.
2- Uma falta de equilíbrio destes dois últimos aspectos: os criadores nacionais ou têm privilegiado demasiado um em detrimento do outro, ou vice-versa.
3- Falta qualidade, em alguns casos, e falta marketing deles próprios. E um marketing que deve ser feito nos canais mais indicados, e não privilegiar as revistas cor-de-rosa em relação às revistas de moda, pois aquele público não será o que vai consumir aquelas colecções. As revistas portuguesas também não dão o apoio e cobertura suficientes, acrescente-se. A Fátima Lopes faz bem o seu marketing, mas tem a sua linguagem e o seu estilo; falta aos restantes serem mais cativantes, mais carismáticos. E deviam ser mais adaptáveis a novas formas de apresentação das suas roupas pois tenho falado com alguns sobre a hipótese de vestir peças deles, mas depois querem saber com que outras peças o farei, são avessos a misturar a apresentá-los de outras formas, e não se compreende porquê. Falta também a loja, para podermos ver as suas colecções, pois o ateliê ainda é um pouco intimidante. Depois, temos que nos lembrar que há tantas marcas no mercado que se os estilistas portugueses não se distinguem, o consumidor vai comprar outra marca. Por último falta uma certa modernização e vocação do público para a moda, pois vêm um desfile, gostam, mas depois nunca imaginam comprar e vestir aquela roupa.
4- Houve uma evolução enorme, já há maisshow-rooms para divulgação das colecções, já aparecem mais estilistas do Porto, etc.
5- É imprescindível, para suportar os custos enormes com que eles lidam.
6- Faz todo o sentido, pois ficam ambos a ganhar: as empresas diversificam e ficam mais criativas e eles ficam com uma visão empresarial.
7-Creio que não, passerelle deve ser só para as colecções dos criadores. Faz sentido com duas iniciativas distintas. Antigamente havia a Portex e a Filmoda, que acabaram. Fazia sentido recriar aquele conceito.
8-Sim, mas o país é pequeno para as duas iniciativas; deviam juntar esforços a todos os níveis, financeiros, logísticos, etc. Temos, mas precisam de evoluir, e é para isso que servem as revistas.
1-Quando vejo uma colecção espero um bom conceito de marketing desde o momento da sua concepção, e espero ver continuidade no percurso do seu autor. É preciso notar que quando se avalia uma colecção não é só o trabalho do criador que está em causa, é o de toda uma equipa que também deve ser valorizada. Estes artistas não trabalham como os pintores, por exemplo, ou como um escultor, embora este já trabalhe mais em equipa; está muita gente envolvida na criação do moimento do desfile.
2- Têm vontade.
3- Falta mais projecção inter-nacional para os que mostraram já um bom trabalho, e falta apostar mais nos que têm valor. Falta alguém que os contrate. Eles não sabem estruturar o arranque de uma parceria e não se vê ninguém que vá ter com eles.
4- Sim, mas não a suficiente.
5- Sim, é indispensável, hoje em dia tudo o que é moda deve ser um negócio. Mas para que se comercialize é necessária a existência da loja. As pessoas assistem aos desfiles, acham bonito mas depois é preciso levá-las à loja.
6- Faz todo o sentido.
7 e 8- Todas as iniciativas deviam ser resumidas a estas duas, ou até resumir estas a uma só. O país é demasiado pequeno para tantos desfiles.
9- Claro que temos, há sempre. Mas temos uma concorrência estrangeira fortíssima, com mais marketing e mais comunicação, o que falta aos nossos criadores.











