Breves

  1. Algodão em queda
  2. UE abre as portas ao Vietname
  3. Carlyle deita a mão à Hunkemöller
  4. Americanos foram às compras
  5. Fast Retailing chumba em responsabilidade social
  6. Bangladesh troca vestuário por tecnologia

1. Algodão em queda

As estimativas de produção, consumo e stocks finais mundiais de algodão para 2015/2016 foram revistas em baixa, refletindo as reduções verificadas na China, Paquistão, EUA, Índia e Turquia. Segundo o relatório mensal Estimativas Mundiais de Oferta e Procura do Departamento de Agricultura dos EUA, a produção deverá diminuir 1,9 milhões de fardos, para 103,7 milhões de fardos, em comparação com o mês passado, com as quebras no Paquistão, China, EUA, Turquia, Grécia e Turquemenistão a serem parcialmente compensadas por um aumento na Austrália. O consumo também desce ligeiramente, para 111,4 milhões de fardos, em comparação com as expectativas de 111,6 milhões de fardos no mês passado, refletindo uma diminuição na China, Índia e Paquistão, que na maioria são compensadas por aumentos no Vietname e no Bangladesh. Os stocks finais mundiais estão agora projetados para 104,4 milhões de fardos, menos 1,7 milhões de fardos do que no mês passado. No entanto, o comércio mundial deverá subir um milhão de fardos, refletindo um esperado aumento das importações por parte do Paquistão, Vietname e Bangladesh, mas menores compras por parte da China. As exportações deverão aumentar na Índia, Brasil e Austrália. A produção nos EUA está projetada para 13 milhões de fardos, menos 250 mil em comparação com o mês passado, devido sobretudo a uma menor produção na Carolina do Norte e na Carolina do Sul.

2. UE abre as portas ao Vietname

A União Europeia e o Vietname concluíram o Acordo de Comércio Livre quase dois anos e meio depois de conversações e 14 rondas de negociações. A assinatura do acordo, que remove praticamente todas as taxas entre a Europa e o Vietname, segue-se a um acordo de princípios que foi conseguido em agosto entre as duas regiões. O acordo de comércio livre, que deve entrar em vigor em 2018, é o primeiro que a UE conclui com um país em desenvolvimento e deverá implicar a eliminação de mais de 99% taxas aduaneiras em bens transacionados entre as duas economias ao longo de um período de sete anos. Para além de eliminar taxas alfandegárias e outras barreiras ao comércio, o acordo de comércio livre inclui indicações sobre outras questões, nomeadamente temas ligados à concorrência, comércio e desenvolvimento sustentável, questões ambientais e laborais, responsabilidade social corporativa, entre outros. Num comunicado conjunto, Jean­Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, e Nguyen Tan Dung, Primeiro-Ministro do Vietname, afirmam que o caminho para concluir os procedimentos internos para a assinatura, ratificação e implementação total do acordo está agora livre. «O Acordo de Comércio Livre UE-Vietname vai contribuir para reforçar as nossas economias e sociedades através de um acesso melhorado aos respetivos mercados. Vai também ajudar a despoletar uma nova onda de investimento de elevada qualidade em ambos os sentidos e apoiar a transição do Vietname para uma economia mais competitiva, inteligente e “verde”», acrescentam. A UE é atualmente a segunda maior parceira do Vietname, a seguir à China, e no início deste ano tornou-se a terceira maior investidora estrangeira. Atualmente, as exportações da UE para o Vietname são dominadas por produtos de alta tecnologia, como máquinas, aviões, veículos e produtos farmacêuticos. As importações da UE do Vietname atingiram 22,1 mil milhões de euros no ano passado, dominadas por calçado, têxteis e vestuário. Os dados mais recentes do Vinatex, o grupo estatal de têxteis e vestuário, sugerem que as exportações de têxteis e vestuário do Vietname deverão atingir 12,18 mil milhões de dólares (11,12 milhões de euros) nos primeiros seis meses deste ano, um aumento de 10,3% em comparação com o mesmo período de 2014. Embora os EUA continuem a ser o principal comprador, com 42% do total das exportações, a UE surge no segundo lugar, tendo registado um aumento de 8,2% das suas importações de têxteis e vestuário do Vietname, para 1,45 mil milhões de dólares.

3. Carlyle deita a mão à Hunkemöller

O Carlyle vai comprar a Hunkemöller à empresa de private equity que a detém. Fundada em 1886 como uma loja de lingerie em Amesterdão, a Hunkemöller cresceu para uma rede de mais de 700 lojas na Europa e tem tido o apoio da empresa de private equity PAI desde 2010. Os termos do negócio não foram desvendados, mas uma fonte próxima do processo adiantou que o Carlyle terá pago cerca de oito vezes o Ebitda de 55 milhões de euros da Hunkemöller, o que avalia a empresade lingerie holandesa em cerca de 440 milhões de euros. Em março a Reuters publicou que a PAI estaria a lançar um processo que podia avaliar a empresa em cerca de 500 milhões de dólares (556,6 milhões de euros). A Hunkemöller é a maior marca de lingerie da high street na região do Benelux. Foi cobiçada por outras empresas de private equity, incluindo a Sycamore, que esteve perto de fechar um acordo. Mas no outono a PAI solicitou propostas revistas, depois da Hunkemöller ter tido uma performance melhor do que a esperada, segundo noticiou a Reuters. «A lingerie é um segmento muito atrativo no mundo do retalho. Há menos concorrência do que outras categorias», afirmou à Reuters Marco De Benedetti, codiretor para a Europa do Carlyle. «Pensamos que este é um negócio que será atrativo pelo seu próprio mérito, mas há sempre espaço para considerar outras transações», acrescentou. Um outro nome que está a ganhar destaque no sector é a Women’secret, a marca de lingerie da Cortefiel, que deverá ser vendida pelas empresas de private equity que detêm o grupo espanhol. O Carlyle já investiu anteriormente em cadeias de vestuário, incluindo a produtora de casacos de luxo Moncler e a retalhista italiana Twin Set. O negócio da Hunkemöller deverá ficar concluído em meados de março de 2016.

4. Americanos foram às compras

Mais de um milhão de consumidores americanos estiveram às compras no fim de semana de Ação de Graças para aproveitarem os descontos, com o vestuário a liderar a lista de presentes. Segundo a National Retail Federation (NRF), mais de 151 milhões de pessoas revelaram ter comprado em lojas físicas ou online no fim de semana, com 102 milhões de pessoas a afirmarem que visitaram lojas e mais de 103 milhões a afirmarem que compraram online. O consumidor médio gastou 299,60 dólares (cerca de 273,6 euros) no fim de semana, com uma média de 229,56 a serem gastos em presentes. Quase um terço (32,4%) fez compras numa loja de vestuário e mais de metade dos que compraram presentes adquiriu artigos de vestuário em lojas físicas ou online. «Reconhecemos que a experiência de compras no fim de semana de Ação de Graças é muito diferente do que costumava ser, já que muitas pessoas querem negócios únicos e exclusivos tanto online como nas lojas», indicou o presidente e CEO da NRF, Matthew Shay. «É evidente que a tradição da época de ir às lojas com a família e amigos está agora equilibrada com a nova tradição de procurar online oportunidades de poupança», acrescenta. O estudo, realizado pela Prosper Insights & Analytics, concluiu que 74,2 milhões de consumidores (72,8%) fizeram compras em lojas na Black Friday, enquanto 75,3 milhões (73,1%) revelaram ter realizado compras online no principal dia de compras do fim de semana. No Dia de Ação de Graças, 34,6 milhões de pessoas (34%) visitaram lojas, enquanto 41 milhões de pessoas (39,8%) fizeram compras online. O estudo destaca que os “millennials” (ou Geração Y – os indivíduos nascidos nos anos 80 até meados dos anos 90) «mudaram o jogo» no que diz respeito às compras no fim de semana de Ação de Graças, assegurando-se que saem cedo e muitas vezes para fazer as compras das listas de presentes para os outros e para eles próprios.

5. Fast Retailing chumba em responsabilidade social

A retalhista japonesa Fast Retailing está sob fogo cerrado por parte dos grupos de defesa dos direitos dos trabalhadores por não ter conseguido melhorar as condições de trabalho e a poluição ambiental nas fábricas chinesas que fornecem a marca Uniqlo. Uma investigação da Students and Scholars Against Corporate Misbehaviour (Sacom) nas fábricas que produzem vestuário para a cadeia de moda Uniqlo mostra que há maus tratos aos trabalhadores, forçando-os a trabalhar horas extra para além dos limites legais, utilização de químicos tóxicos que prejudicam a saúde dos trabalhadores e poluem o meio ambiente e falhas no pagamento de segurança social e bónus para o fundo de habitação. As empresas Jintan Clothing Co, Dongguan Crystal Knitting & Garment Co Ltd, Pacific Textile Ltd (Pan Yu) e Dongguan Luen Thai Garment Co foram mencionadas no seguimento de investigações que tiveram lugar no início deste ano. Após a publicação do primeiro relatório de investigação da Sacom, a Fast Retailing reconheceu a validade de algumas conclusões e em resposta publicou um relatório de ação de responsabilidade social e corporativa a listar as correções que foram feitas. De seguida, a Sacom concluiu um estudo de follow-up para examinar se as medidas corretivas foram feitas e para avaliar as condições de trabalho atuais nas fábricas da Pacific Textile Ltd (Pan Yu) e da Dongguan Luen Thai Garment Co. O grupo afirma que, com base das suas análises, está «desapontado com o facto dos padrões de trabalho nas fábricas que fornecem a Fast Retailing não só não correspondem aos padrões internacionais como violam até a legislação local». O grupo está, por isso, a pedir à Fast Retailing e aos seus fornecedores que subam os salários base para que os trabalhadores não tenham de trabalhar horas extra ilegais, publiquem toda a informação relevante sobre químicos e materiais usados, forneçam formação de segurança no trabalho, paguem os bónus de segurança social aos trabalhadores e assegurem que os representantes sindicais são efetivamente eleitos pelos trabalhadores.

6. Bangladesh troca vestuário por tecnologia

O Bangladesh tem de ir além do vestuário e investir, em vez disso, em sectores de alto valor acrescentado e de tecnologia intensiva, como a engenharia e a eletrónica, para tirar o país da pobreza. A conclusão é de um novo estudo do grupo de defesa dos direitos dos trabalhadores ActionAid, que sugere que não só esses sectores poderiam trazer mais dinheiro para o país como podem também gerar lucros mais elevados para os donos das empresas – o que tem o potencial de permitir um aumento dos salários e lucros e, consequentemente, gerar mais receitas em impostos para o Estado reinvestir no desenvolvimento económico e social do país. A atual estratégia de desenvolvimento está focada na criação de emprego através do sector do vestuário, mas isso «pode ter chegado ao seu limite», aponta a ActionAid no estudo “Diversificar e Conquistar”. «Agora o Bangladesh precisa de uma nova e inovadora Estratégia de Desenvolvimento Nacional para diversificar a sua economia para sectores que acrescentem mais valor, criando mais riqueza para o país e emprego para o povo do Bangladesh», sustenta. Os investigadores argumentam que ao focar-se exclusivamente no sector do vestuário, que representa atualmente mais de 24 mil milhões de dólares (cerca de 22 mil milhões de euros) em exportações e emprega quatro milhões de pessoas, o Bangladesh negligenciou o investimento em indústrias emergentes. E ao apoiar-se na vasta oferta de mão de obra barata, o país está parado num segmento de baixo valor acrescentado da cadeia mundial de valor, caracterizado por baixos lucros e até salários mais baixos, apontam. Embora a indústria de vestuário crie empregos para mulheres, estas são mal pagas e mal tratadas, destaca o estudo, que vai mais longe e afirma que apesar de terem sido criados formalmente 200 mil postos de trabalho na última década, isso «quase não responde ao desemprego no Bangladesh», onde a população está a crescer a um ritmo superior a 2 milhões por ano. «Para tirar o país da pobreza, o governo terá de fazer muito mais para apoiar a transformação económica e aprender com a industrialização bem-sucedida de países como a Coreia do Sul e Taiwan», resume a ActionAid.