Breves

  1. H&M soma vendas
  2. Britânicos regressam às lojas
  3. Idade conta menos no consumo
  4. EUA importam mais da China
  5. Trabalho infantil mancha algodão
  6. ITV do Camboja perde competitividade

1. H&M soma vendas

A H&M registou mais um aumento das vendas mensais em maio, marcando o 38.º mês consecutivo de crescimento para a retalhista sueca. As vendas do grupo, incluindo IVA, subiram 9% em moeda local, em comparação com o mesmo mês do ao passado. Este aumento foi, contudo, inferior, aos 10% registados em maio de 2015, mas mais elevado do que os 5% de abril. Com os efeitos ajustados de calendário, como a mudança do fim de semana do Memorial Day para junho, as vendas cresceram 11%. No final de maio, a H&M contava 4.077 lojas, em comparação com 3.639 um ano antes. No mês passado, a empresa afirmou que as temperaturas baixas da primavera, que se mantiveram em abril em vários dos seus principais mercados, tiveram um impacto desfavorável nas vendas de produtos de transição entre estações e artigos de verão. O analista da Stifel, Richard Jaffe, sugere que o consumidor H&M «é particularmente suscetível ao tempo» em comparação com os das outras marcas do grupo sueco, e afirma que a melhoria nas tendências das vendas em maio deverá «chegar tarde» para salvar o segundo trimestre da retalhista. «Acreditamos que o ambiente de retalho difícil contribuiu para abrandar as vendas no segundo trimestre, que deverão exigir mais promoções para impulsionar as vendas e movimentar o inventário, pressionando as margens», sublinha.

2. Britânicos regressam às lojas

O tráfego no retalho do Reino Unido subiu em maio, refletindo os padrões normais da meteorologia, permitindo alguma folga à high street da tendência de queda registada nos últimos meses. O BRC/Springboard Footfall and Vacancies Monitor concluiu que o número de consumidores nas lojas subiu 0,3% face ao ano passado, um resultado melhor do que a queda de 2,4% registada em abril e significativamente acima da média de -1,7% registada nos três meses. A high street e os parques de retalho registaram aumentos em maio, com uma subida de 1,2% para ambos, com os últimos a registarem a melhor performance desde julho de 2013. Os centros comerciais, contudo, registaram uma queda de 2,1% no tráfego no mês passado. Helen Dickinson, diretora-executiva do British retail Consortium, sublinhou, contudo que foi o online o principal responsável pela reviravolta. «O aumento do tráfego e a queda nas vendas em loja dão crédito à tendência de uma utilização crescente da high street para atividades de lazer e pesquisa de compras feitas online quer mais tarde, quer em movimento através dos dispositivos móveis», indicou. Diane Wehrle, diretora de marketing e inteligência na Springboard, acrescentou que o aumento modesto do tráfego não marca necessariamente o início de uma tendência positiva. «Esta é apenas a 14.ª vez nos últimos seis anos em que o tráfego aumentou e nesse período o tráfego aumentou em dois meses consecutivos apenas duas vezes. Temos de registar pelo menos um aumento em três meses consecutivos para indicar que a tendência positiva é mais do que uma aberta nas nuvens. Com a incerteza criada pelo referendo da UE a afetar a confiança dos consumidores, será difícil que esta tendência de três meses se registe agora», explicou.

3. Idade conta menos no consumo

Durante vários anos, as marcas e retalhistas de vestuário direcionaram-se para os consumidores millennial para impulsionar o crescimento, mas os analistas estão agora a advertir que um foco demasiado reduzido faz com que corram os riscos de ignorar outras gerações que têm igualmente um enorme poder de compra. Também destacam que os millennials, que representam 83,1 milhões de pessoas entre os 18 e os 34 anos – um quarto da população americana – e 38% das vendas de vestuário dos EUA, não devem ser considerados como uma unidade única de consumidores. «Toda a gente fala agora dos millennials, mas há um risco real de ignorar outras gerações que têm ainda um enorme poder de compra», explica Marshal Cohen, analista-chefe do The NPD Group. «E, no que diz respeito aos millennials, outra coisa que muitos retalhistas não percebem, é que nem todos os millennials são iguais. Dependendo do estilo e fase da vida, os millennials podem ter mais ou menos propensão a comprar a sua marca», acrescenta. O novo estudo da AT Kearney e do The NPD Group, batizado “A idade não é tudo”, analisou as compras de vestuário de três gerações – millennials, Gen-Xers (com idades entre os 35 e os 50 anos) e baby boomers (mais de 50 anos) – e concluiu que embora a idade seja um fator, não é o único. Os analistas acreditam que o estilo de vida, a fase da vida e a atitude geral dos consumidores para com a moda é essencial para prever o comportamento. O estudo concluiu que os millennials ultrapassam as outras gerações em termos de volume de artigos comprados, tendo uma probabilidade superior em 1,5 a 2,4 vezes de comprar três ou mais itens em categorias-chave de vestuário nos últimos seis meses. Mas com os millennials a representarem apenas 38% do consumo nos EUA, os analistas avisam que as outras gerações não devem ser ignoradas. Segundo o estudo, outros fatores são responsáveis por impulsionar as compras. Pais de todas as gerações compram mais jeans e activewear em comparação com os que não têm filhos; consumidores fisicamente ativos compram mais em todas as categorias; e os consumidores com atitudes mais atentos à moda compram mais de todas as marcas, não apenas de gama mais alta. Hana Ben-Shabat, partner da AT Kearney e coautor do estudo, afirma que a idade é apenas uma peça do puzzle. «Ao direcionar os millennials como um grupo, os retalhistas estão a perder os motores reais da compra. É importante direcionar-se para cada segmento e ajustar a proposta de valor», acrescenta.

4. EUA importam mais da China

As importações de camisolas em malha e de blusas em fibras sintéticas dos EUA a partir da China registaram o maior crescimento em volume de todas as categorias de vestuário entre 2009 e 2015. Os dados foram publicados no sétimo relatório anual das importações americanas de têxteis e vestuário da China, compilados pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA (Usitc na sigla original) como parte das exigências antes de levantar as quotas em 2008. Segundo esta sétima edição, publicada a 13 de junho, o volume de camisolas em malha de fibras sintéticas para homem e rapaz e de blusas e camisolas em malha para senhora e rapariga aumentaram 148% entre 2009 e 2015, para 48.695 milhões de dúzias de unidades.

5. Trabalho infantil mancha algodão

Apesar de anos de esforços para acabar com o trabalho infantil, as empresas que compram algodão a alguns dos maiores produtores mundiais da fibra correm um risco significativo de estar associados à exploração de crianças – e um novo mapa destaca onde estão os principais desafios. Segundo o Child Labour Index 2016 publicado pela empresa de análise de risco Verisk Maplecroft, o trabalho infantil continua associado à indústria de algodão de países como a Índia, China, Paquistão, Uzbequistão e Burkina Faso. Um enquadramento legal adequado, apesar de ser importante, não é suficiente para reduzir as taxas de trabalho infantil, indica a empresa. Prova disso é a situação no Uzbequistão, que ratificou todas as convenções internacionais relevantes após a acusação de usar trabalho infantil na indústria de algodão. Embora as leis e políticas tenham sido eficazes a eliminar o trabalho de crianças mais pequenas, o trabalho por crianças entre os 15 e os 17 anos continua a ser um problema, sobretudo durante a colheita de algodão. Já os esforços do governo são um indicador mais importante na prevalência de violações de trabalho infantil num país. A Austrália – o segundo maior exportador de algodão – não tem uma idade mínima para que alguém possa ser empregado, o que pode ser considerado uma fragilidade legal em comparação com outros países, como o Uzbequistão. Contudo, crianças e jovens não estão expostos ao mesmo nível de risco porque o Estado impõe a escolaridade obrigatória até aos 17 anos. A provisão de trabalho decente é igualmente um indicador importante no risco de trabalho infantil. O índice de salários decentes da Verisk Maplecroft mostra que o risco de violações com trabalho infantil é menor quando os adultos recebem salários adequados que os ajudem a manter a sua família. Um outro estudo da Verisk Maplecroft publicado no início do ano destacava que a escravatura moderna, falta de informação sobre as práticas laborais na cadeia de aprovisionamento e inadequada vigilância dos fornecedores são as maiores ameaças à reputação das marcas em 2016.

6. ITV do Camboja perde competitividade

A queda da produtividade e o aumento dos custos de infraestruturas no sector de vestuário do Camboja pode estar a colocar o país em desvantagem face ao Vietname, Bangladesh e Myanmar, indicou a associação da indústria de vestuário. De acordo com os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a produtividade laboral no sector de vestuário e calçado do Camboja caiu 14% entre 2011 e 2014 – e este declínio continuou em 2016, segundo a Associação de Produtores de Vestuário do Camboja. «Com um aumento da concorrência internacional e de outros países com salários muito baixos, é absolutamente vital que o sector de vestuário do Camboja saia da lógica de subcontratação, desenvolva uma política de valor acrescentado pelos seus produtos e serviços e adquirir uma certa independência face aos fornecedores estrangeiros para os seus têxteis», afirma Van Sou Ieng, presidente da associação. O estudo recomenda uma estratégia para reforçar a competitividade geral do sector e melhorar a oferta através da formação profissional. O estudo propõe ainda o desenvolvimento de novas capacidades nos têxteis (fiação, tecelagem e estamparia) para criar um sector têxtil e vestuário integrado, assim como em áreas como marketing e gestão. «Esta estratégia promissora para o futuro irá tornar possível a formação de uma geração altamente qualificada de executivos e gestores no Camboja que vão tornar o têxtil e vestuário num sector essencial para o equilíbrio socioeconómico do Camboja e uma indústria próspera, eficiente e altamente exportadora, que empresa pessoas altamente qualificadas», acredita Jean-François Limantour, presidente da Aliança Europa-Vietname, que organizou, em parceria com a Associação de Produtores de Vestuário do Camboja, o workshop onde foi apresentado o estudo, e que propôs a criação de um Instituto de Moda do Camboja. Para já, as obras para o novo Instituto de Formação de Vestuário do Camboja já começaram, devendo ficar concluídas em outubro. Apesar da queda na produtividade do sector de vestuário do Camboja, a indústria continua a liderar o crescimento real da economia, revelam números recentes, tornando o país num dos que está a ter mais rápido crescimento na Ásia Oriental.