Bernard Arnault, o destemido

A Louis Vuitton Moet Henessy (LVMH) acredita que quando a crise se instala, é tempo de reforçar os investimentos e não de reduzi-los ao mínimo indispensável. Segundo Bernard Arnault, principal accionista e presidente do grupo, crise é sinal de oportunidade para aumentar a vantagem das suas empresas sobre os concorrentes. Para o empresário francês, a exigência por qualidade é ainda mais relevante em tempos de incerteza económica, pois os consumidores são ainda mais rigorosos em como gastam o seu dinheiro. Um momento ideal para elevar as suas marcas para patamares ainda mais superiores. Arnault exemplificou esse posicionamento com a sua política de promoções. «Na Louis Vuitton, mesmo durante este período, nunca entramos em promoções. Mesmo com todos os outros retalhistas a oferecerem descontos de 50% e 70%, nós nunca entramos em saldos», explicou o magnata. «Mesmo nos tempos mais difíceis continuámos a investir. Durante os últimos anos, em todas as crises que vivi, conseguimos aumentar a nossa quota de mercado». Este sucesso deve-se, segundo Bernard Arnault, ao posicionamento da empresa que dirige perante situações económicas mais difíceis. Postura que espera manter no momento actual, aproveitando a redução de investimento e de lançamento de novos produtos por parte dos concorrentes para reforçar a sua posição através da consolidação das suas marcas e da abertura de novas lojas. O grupo LVMH, apesar da quebra considerável das vendas de artigos de luxo, tem demonstrado bastante resiliência a esta crise. O seu volume de negócios manteve-se inalterado, perto dos 18 mil milhões de dólares durante os primeiros 9 meses de 2009. Com o continente asiático, excluindo o mercado japonês, a representar 23% das receitas durante esse período, a empresa espera vir a reforçar a sua presença na região. «O continente asiático tem representado a região do mundo onde mais temos crescido. Penso que na China, o crescimento da economia rondará os 9% e o grande conhecimento que detemos nestes mercados será uma grande vantagem a jogar a nosso favor», afirmou Arnault. «O nosso crescimento nesses mercados estará na casa dos dois dígitos por muitos anos», acrescentou o responsável. O conglomerado do luxo LVMH detém cerca de 60 marcas de artigos de luxo como é o caso da Louis Vuitton, Christian Dior e da Moet et Chandon.