Com cerca de 20 anos de atividade, a Barbosa & Cardoso estava dedicada sobretudo a serviço subcontratado, mas nos últimos tempos decidiu investir «ao nível da capacidade de desenvolvimento da coleção própria», explica Tiago Silva, diretor de desenvolvimento de negócios.
O objetivo é acrescentar valor ao produto, «quer pelas empresas com que trabalhamos, quer pelas colaborações com designers e com escolas de moda internacionais», revela. «Embora tenhamos muita qualificação na equipa, há uma coisa que é a criatividade e o contexto, que é diferente», refere. «Espera-se um nível de criatividade e exigência muito diferente de um designer», sublinha.

A empresa tem igualmente vindo a explorar novas estruturas e matérias-primas, incluindo «uma fibra 100% de papel» ou desenvolvimentos com «índigo verdadeiro», cuja aplicação em malha apresenta desafios técnicos, salienta Tiago Silva. «Andamos sempre à procura de coisas interessantes que depois permitam aos designers desenvolver as malhas», acrescenta. Na nova coleção, destaca-se ainda a utilização de fios algodão/ poliamida em construção bouclé, bem como seda burette.
A estratégia passa também pela presença em feiras internacionais, nomeadamente a Première Vision Paris, na qual se estreou. Além disso, «fizemos a Première Vision Nova Iorque, em janeiro, e vamos fazer também a Milano Unica», desvenda.
Biblioteca digital em curso
Localizada na zona de Barcelos, a Barbosa & Cardoso, que emprega cerca de 50 pessoas, dispõe de um parque tecnológico com 70 máquinas e uma capacidade produtiva estimada entre «16 a 18 toneladas diárias de malha em cru». Os acabamentos são subcontratados, contando atualmente com «cinco tinturarias parceiras», estando a estudar o aumento deste número, «sobretudo por uma questão de flexibilidade e tempo de resposta».
Para melhorar a interação e rapidez de resposta, a empresa está a desenvolver uma biblioteca digital. «O cliente pode aceder à informação e nós conseguimos dar preços, stocks e dados em tempo real», aponta. «Informação útil em tempo útil», resume o diretor de desenvolvimento de negócios.
Atualmente, a exportação direta representa cerca de 30% a 40% do negócio, com destaque para os mercados americano e francês. As próximas metas passam por reforçar a presença no Norte da Europa, nomeadamente Alemanha e países escandinavos. «No longo prazo, o nosso objetivo é termos cerca de 60% a 70% de exportação direta», aponta Tiago Silva,
Com um volume de negócios na ordem dos 5,5 milhões de euros em 2025, o diretor de desenvolvimento de negócios assume que a Barbosa & Cardoso está numa fase de transição. «Estamos a reposicionar a empresa. Sabemos que isso vai demorar tempo – um, dois ou três anos», indica Tiago Silva, mas «já estamos a ter alguns resultados e a trabalhar com marcas com que não trabalhávamos antes», o que prova que «o caminho é este, a estratégia está a funcionar».












