ATP apela a Durão Barroso

Em comunicado à imprensa, a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal mostra-se preocupada com a possível concessão, por parte da União Europeia, de acesso ao mercado do espaço europeu por parte da indústria têxtil do Paquistão que implicaria que 13 categorias de produtos pudessem ser exportados para a Europa sem pagamento de direitos aduaneiros. «Esta liberalidade poderá ser ainda mais gravosa, pois a forma de concessão poderá não ser um “waiver” (direitos zero limitados a um país concreto), mas por via de uma cláusula MFN (“Most Favoured Nation”), o que significava alargar tal concessão à generalidade dos países terceiros, o que incluirá a China e a Índia», explica a associação. Com a carta enviada ao presidente da Comissão Europeia, a ATP, através do seu director-geral, Paulo Vaz, solicita a Durão Barroso que trave esta iniciativa «a qual pode trazer gravíssimas consequências para as nossas empresas, gerando ainda mais encerramentos, mais desemprego e o empobrecimento, no momento particularmente difícil que a Europa e Portugal em particular atravessam, no qual as empresas já laboram no limiar da sobrevivência». Além disso, a missiva sublinha ainda que é «inaceitável que a Comissão Europeia continue a utilizar a Têxtil como “moeda de troca” para tudo que entende, no âmbito da sua política comercial e externa, ao arrepio do seu próprio discurso político de apoio à revitalização da Indústria transformadora da U.E., que aparentemente passou a fazer ainda mais sentido no rescaldo da crise económica e financeira global, uma vez que, na primeira oportunidade, continua empenhada em praticar precisamente o oposto, ou seja a contribuir para a desindustrialização do seu espaço geográfico, na senda do fundamentalismo liberal que a tem caracterizado, particularmente no que respeita ao comércio internacional». O Paquistão solicitou a abertura do mercado europeu com base na catástrofe natural que atingiu o país, um argumento que a ATP considera «totalmente falacioso, pois as regiões afectadas pelas cheias não são as que acolhem a Indústria Têxtil local, pelo que esta praticamente nada sofreu com as inundações, nem tão pouco os apoios solicitados serão dirigidos à regeneração do seu tecido empresarial, pois naquele país ela é de capital intensivo, dotada de unidades bastante modernas, competitivas e com grande dimensão, o que significaria que os apoios a conceder só beneficiariam quem já está bem e não quem realmente necessita». A nota da ATP foi igualmente enviada à DGAE, do Ministério da Economia, em Portugal, para tentar «sensibilizar e mobilizar as autoridades nacionais» para esta causa.