Para casamentos, férias ou outros eventos especiais, cada vez mais consumidores recorrem a serviços de aluguer de vestuário em vez de comprar peças novas, através de modelos de subscrição que permitem receber em casa vestuário, malas ou roupa formal para posterior devolução e reutilização por outros clientes, indica a Associated Press.
Segundo um inquérito da plataforma de revenda ThredUp, 87% das pessoas convidadas para casamentos afirmaram ter comprado pelo menos um conjunto que utilizaram apenas uma vez. Para Kate Fletcher, professora de sustentabilidade, design e sistemas de moda na Universidade Metropolitana de Manchester, o conceito apresenta argumentos favoráveis, mas também limitações. «Em teoria, os recursos incorporados nessa peça têm a oportunidade de ser mais aproveitados ao serem usados por mais pessoas. E esse é o argumento convincente», refere. Contudo, a professora considera que «muitos desses benefícios ambientais podem ser prejudicados por envios repetidos, devoluções e limpeza», esclarece.
Aja Barber, consultora de sustentabilidade e escritora, sublinha os impactos associados à operação logística. «Quando se pensa em aluguer, não se pensa na embalagem que chega sempre que se recebe algo de um serviço de aluguer. Não se pensa na pegada de carbono do envio do artigo para si. E certamente não se pensa na pegada de carbono da limpeza a seco», exemplifica.
Ainda assim, ambas as especialistas consideram que o modelo pode ser vantajoso em determinados contextos. «Se é alguém que ocasionalmente precisa de usar roupa para ocasiões especiais e não quer comprar um vestido que vai usar apenas uma vez, penso que pode ter um impacto muito significativo», indica Aja Barber. Kate Fletcher defende modelos de aluguer mais localizados, como os tradicionalmente utilizados para fatos ou vestidos de cerimónia, nos quais os clientes experimentam e devolvem as peças em loja.
Impacto do transporte
A componente logística é outro dos fatores destacados. Johanna Amaya, professora auxiliar de gestão da cadeia de aprovisionamento da Universidade Estadual da Pensilvânia, recorda que o transporte é uma das maiores fontes de emissões de gases com efeito de estufa. «Quanto mais entregas forem feitas nas nossas casas, quanto mais entregas forem feitas para o local que preferimos, maior será esse impacto no ambiente», afirma. A especialista salienta ainda que os serviços de aluguer implicam normalmente dois percursos logísticos, um para a entrega e outro para a devolução. «Quanto mais tempo puderem esperar para consolidar mais encomendas e utilizar a capacidade dos veículos de entrega, melhor», acrescenta.
Johanna Amaya defende também que a devolução de artigos em pontos centralizados, como cacifos de encomendas ou estações de correio, pode ter um impacto ambiental inferior aos serviços de recolha ao domicílio.
As especialistas referem que o aluguer pode continuar a ser a opção mais vantajosa em situações específicas, mas alertam que os consumidores devem refletir sobre a frequência com que encomendam, recebem e devolvem vestuário.
«A melhor coisa que podemos fazer é abordar a moda como uma prática. Ou seja, uma experiência vivida do que significa estar vestido – repleta de possibilidades de quem posso ser no mundo – e não como algo para comprar», sublinha Kate Fletcher. «A moda como compras, essa ideia, é algo que a indústria nos encorajou a acreditar que é a única forma de nos relacionarmos com a moda. E, fundamentalmente, isso só vai conduzir a mais impactos climáticos», conclui.




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