A empresa, que vende a marca própria ao lado das propostas da Abercrombie & Fitch e da Calvin Klein, deverá abrir novas unidades de produção na Grã-Bretanha nos próximos três a quatro anos para apoiar os seus planos de expansão, adiantou o diretor-executivo Nick Beighton em declarações à Bloomberg. Atualmente, 4% dos artigos da Asos são produzidos em duas fábricas em Londres.
«O Reino Unido tem capacidade produtiva, mas as competências não estão disponíveis como outrora», lamentou Beighton. Para colmatar essa falha, a Asos está a dar formação aos funcionários em áreas como a costura e o design de vestuário numa das fábricas londrinas.
Os planos da Asos, auxiliados pelo declínio de 15% da libra esterlina face ao dólar desde o Brexit, passam ainda pela contratação de mais 1.500 funcionários para a sua sede em Londres nos próximos três anos.
Redução de preços
Ao contrário de muitos rivais de moda focados no mercado interno, a Asos beneficiou com a queda da libra, porque cerca de 57% das suas vendas estão fora do Reino Unido.
De acordo com Beighton, a desvalorização da moeda permitiu que a empresa reduzisse os preços para ganhar compradores internacionais e facilitou o investimento.
Cerca de 70% das vendas anuais de 1,45 mil milhões de libras (aproximadamente 1,69 mil milhões de euros) da Asos estão na Europa, por isso, concentrar mais produção no Reino Unido vai ainda permitir que as roupas estejam mais rapidamente disponíveis para os clientes. Segundo a gigante online, os produtos de marca própria têm um peso de 45% nas vendas.
As cadeias de aprovisionamento de proximidade parecem estar em voga na indústria da moda. A Inditex, com sede em Espanha, recebe os designs nas lojas em menos de duas semanas, produzindo 60% da sua mercadoria em Espanha, Portugal ou Marrocos (ver O segredo mais bem guardado da Zara). A Marks & Spencer, maior retalhista de vestuário da Grã-Bretanha, aumentou as margens de lucro cortando nos intermediários.
Não obstante, ainda que a Asos consiga tirar partido da produção doméstica, outros retalhistas, com negócios focados no mercado interno, terão poucos benefícios na repatriação da produção, segundo o analista de retalho Richard Hyman. «As pessoas que acreditam que a produção vai regressar à Grã-Bretanha estão iludidas. Não é economicamente viável e muitas infraestruturas e competências necessárias já se dissiparam», afirmou.











