Investigadores alemães desenvolvem acabamento repelente sem flúor

A equipa de investigação criou uma alternativa aos tratamentos com PFAS para conferir propriedades repelentes à água e a óleos a têxteis destinados a aplicações técnicas nas áreas de desporto, proteção, automóvel e saúde.

[©Sächsisches Textilforschungsinstitut]

O projeto, denominado “C6C8 turn green” e desenvolvido por investigadores do Sächsisches Textilforschungsinstitut (STFI) e do Leibniz-Instituts für Polymerforschung, procurou desenvolver um acabamento hidrorrepelente sem recorrer à utilização de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), conhecidas pela elevada persistência no meio ambiente.

A investigação centrou-se no desenvolvimento de dispersões aquosas e soluções capazes de conferir repelência à água e a óleos aos têxteis, sem flúor, utilizando oligómeros poliédricos de silsesquioxanos e outros compostos à base de silício.

Para aplicar o acabamento, a equipa produziu dispersões aquosas dos sistemas de copolímeros através de um processo de polimerização. Antes da aplicação do acabamento repelente, os têxteis receberam um tratamento promotor de adesão à base de poliamina, com formulações aquosas de polivinilamina ou quitosano e um agente de reticulação. Numa segunda etapa, foi aplicada a dispersão de copolímero. Em ambos os processos, a aplicação foi realizada através de foulardagem, seguindo-se a secagem térmica e a reticulação.

Os investigadores testaram têxteis de algodão antes e depois de ciclos de lavagem e secagem, sendo que os ensaios foram realizados com a lavagem a 60 graus Celsius e a secagem a 70 graus Celsius. Antes da lavagem, as amostras apresentaram um ângulo de contacto com a água de até 129 graus, valor que passou para 112 graus após cinco ciclos de lavagem e secagem, indicando uma redução da repelência à água após as lavagens, embora a superfície se tenha mantido hidrorrepelente.

Para avaliar a repelência a óleos foi utilizado etilenoglicol. As amostras apresentaram um ângulo de contacto de até 123 graus antes da lavagem e 106 graus depois dos cinco ciclos, conservando assim as propriedades repelentes a óleos após os ensaios.

Segundo os investigadores, o novo acabamento sem compostos perfluorados poderá «reduzir a carga de poluentes libertados para os ecossistemas e para o ar, a água e o solo», tendo em vista a aplicação em têxteis desportivos, médicos e de proteção, bem como no setor automóvel.