A sustentabilidade e o consumo sustentável «não são uma moda passageira, estão aqui para ficar», defendeu Edwin Keh, CEO do Hong Kong Research Institute of Textiles and Apparel e professor na Wharton School da Universidade da Pensilvânia, no âmbito do Prime Source Forum em Hong Kong. «O desafio para nós é que a transparência vai ser muito importante na cadeia de aprovisionamento e para ganhar a confiança dos consumidores, precisamos de fazer isso bem», sublinhou Keh. Kevin Burke, presidente e CEO da American Apparel & Footwear Association (AAFA) considera que «a sustentabilidade é mais do que o cumprimento, é uma questão de ser um bom administrador ao longo da cadeia de aprovisionamento, tem de ser uma corrida até ao topo. O desafio é definir o que significa sustentabilidade para a indústria e como podemos trabalhar nesse sentido, de forma colaborativa e global». A necessidade de toda a cadeia de aprovisionamento trabalhar junta na sustentabilidade é enfatizada pela H&M, a segundo maior retalhista de moda da Europa, com um volume de negócios de 22 mil milhões de dólares e cerca de 2.800 lojas em 49 países. A empresa sueca lançou a sua primeira lista de substâncias restritas em 1995 e, desde então, tem evoluído para tornar-se na maior compradora mundial de algodão orgânico certificado. Em 2010, desenvolveu a sua primeira Conscious Collection na qual todos os produtos provêm de materiais mais sustentáveis, enquanto a sua mais recente iniciativa está a evoluir no sentido de fechar o ciclo, com um esquema de recolha de roupas em loja desenvolvido em conjunto com a empresa global de reciclagem I:Collect. Os esforços de poupança de água da H&M permitiram uma economia de 450 milhões de litros no ano passado, uma proporção de 27% do seu calçado de couro foi produzida a partir de couro certificado (incluindo 60% de sapatos de couro produzidos na China). Obviamente que tudo isto não é puramente altruísta, possuindo uma forte componente de negócio, de acordo com Lars Doemer, responsável ambiental da produção global na H&M. A retalhista sueca cataloga cada um dos seus fornecedores com diferentes classificações, que incluem parâmetros como: preço, qualidade e prazos de entrega, juntamente com critérios de sustentabilidade. Esta ferramenta está integrada nos processos de compras, com as encomendas a serem preferencialmente alocadas aos fornecedores estratégicos com melhor desempenho. Outra retalhista que está a traçar o seu próprio percurso na sustentabilidade é a Migros, cadeia suíça de supermercados, com um volume de negócios de 26,3 mil milhões de dólares em 2011. «Só compramos vestuário pronto-a-vestir, mas sentimo-nos responsáveis pelo que está a acontecer ao longo da cadeia de fornecimento têxtil», explicou Daniela Suter, diretora de sustentabilidade para produtos não alimentares. A Migros iniciou a sua jornada de sustentabilidade em 1996 com o lançamento de um eco-padrão para a sua cadeia de fornecimento têxtil, que monitoriza o vestuário ao longo de cada passo na cadeia de aprovisionamento, desde as fibras até ao produto acabado. De igual forma, a retalhista suíça estabeleceu normas para as questões críticas, como o branqueamento, tinturaria e estamparia, e permite total rastreabilidade de cada artigo até à fiação, garantindo que nenhuma substância nociva foi utilizada em toda a cadeia de produção. Cerca de 65% do vestuário de marca própria da Migros é abrangido pelo eco-padrão, com o objetivo de crescer até 100% em 2017.











