Sob o feitiço da ITV

Que a Indústria Têxtil e Vestuário (ITV) portuguesa tem argumentos de sobra em termos de inovação, qualidade e know-how é já um lugar-comum para todos aqueles que seguem o sector de perto. Mas se dúvidas havia, as exclamações dos 15 jovens designers de moda estrangeiros que percorreram o “chão de fábrica” de três conceituadas empresas portuguesas, confirmaram o que já se sabia: Portugal é o último reduto da ITV na Europa. A grandiosidade da Somelos, com as suas urdideiras colossais, os seus teares supervelozes e até o imenso espaço dedicado às amostras levou os jovens criadores a “perderem-se” entre os corredores, a tocarem cada tecido e a pararem constantemente para observarem o trabalho minucioso e de grande qualidade dos cerca de 500 mil metros de tecidos que saem da empresa a cada mês. «A Somelos impressionou-me. É enorme e a qualidade dos seus tecidos é extraordinária», destacou José Carlos Gómez, um dos três designers que esteve no Porto Fashion Show a representar o IED Madrid, de Espanha. «Acho que Portugal, em termos de tecidos e confeção, é um excelente lugar, onde se deve investir e reter como opção», acrescentou. Também Ingrid Fey, formada pelo Atelier Chardon-Savard e que esteve a estagiar na Louis Vuitton, apreciou o “savoir-faire” da empresa de Guimarães. «Gostei da forma como trabalham e gostei de ver como se cria um tecido», afirmou. Na Pizarro, as novas tecnologias instaladas na empresa, nomeadamente os efeitos de desgaste no denim efetuados a lazer, surpreenderam os jovens designers. «Parece magia!», exclamou Catharina Saffier, a jovem criadora alemã que haveria de vencer o concurso no dia seguinte (ver E o vencedor é…). Mas não foi a única a ficar impressionada com as instalações e capacidade produtiva desta empresa familiar com 30 anos de história. «Uau», exultava Daniele Cetroni, um dos designers italianos em representação do Istituto Marangoni, enquanto calcorreava os diferentes andares da Pizarro. «Adoro denim e descobrir todos estes processos inovadores é uma experiência inesquecível», explicou. Já na Flor da Moda, a automatização da linha produtiva deixou fortes marcas nos jovens designers estrangeiros, com muitos deles a pararem vários minutos em frente às máquinas de corte, espantados com a sua eficiência, que permitia, ao contrário do que estão habituados, cortar várias peças em simultâneo. «Fiz um curso de três anos de moda, já tinha visto empresas de produção de tecidos em lã, mas ver uma empresa de confeção de vestuário foi fantástico. Sinto-me muito mais bem informada agora», confessou Lucy Gardner, da Falmouth University, do Reino Unido. No final, o balanço só podia ser positivo. «Ter a visão desta indústria em Portugal é o melhor prémio do Porto Fashion Show», resumiu Marina Hoermanseder, da alemã Esmod Berlin.