A primeira parte deste artigo (ver Que futuro para a ITV? – Parte 1) mostra que existe muita retórica em torno do regresso dos postos de trabalho e da produção ao Reino Unido. Mas até que ponto esta mudança é viável para o retalho? No âmbito de uma conferência organizada pela Associação de Fornecedores para a Indústria de Confecção Britânica (ASBCI), Maurice Bennett, o presidente da Long Tall Sally, Kookai UK e Austique, observou que antes da Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha era um dos maiores exportadores de têxteis do mundo. Com efeito, até final da década de 1970, os têxteis eram a quinta maior exportação do país mas o setor, outrora vibrante, foi dizimado ao longo das últimas três décadas, à medida que os retalhistas procuravam opções mais económicas no exterior. Um relatório divulgado pelo Concelho de Moda Britânico (BFC) refere que o valor de produção de moda do Reino Unido caiu dois terços desde 1995. Mike Flanagan, diretor executivo da empresa de consultoria Clothesource, estima que a produção no Reino Unido representou apenas 1% das vendas de vestuário em volume em 2010. Citando estatísticas do Eurostat, Flanagan calcula que a produção de têxtil e vestuário no Reino Unido vale cerca de 375 milhões de libras por ano, em preços à saída da fábrica. Flanagan refere ainda que a produção britânica caiu efetivamente durante 2011, embora seja possível que a quota de mercado no Reino Unido tenha subido, face à quebra no número total de peças vendidas. Mas estará a indústria em declínio terminal? John Miln, CEO da Associação de Moda e Têxtil do Reino Unido, descreve o estado actual da indústria como «semelhante a ir para casa e querer colocar água numa chaleira, mas quando se abre a torneira não sai água. Não se pode ligar o que não está lá», acrescentando que «no que se refere aos principais retalhistas e marcas, a nossa perspetiva é que por muito que aplaudamos as iniciativas de envolvimento na produção no Reino Unido, essa infraestrutura desapareceu há algum tempo». Maurice Bennett, por seu lado, refere que, onde o setor continua a existir, existem muitas empresas bem-sucedidas que estão «a trabalhar em plena capacidade e têm dificuldade em formar e recrutar novos trabalhadores». Já Miln argumenta que para o renascimento da indústria do Reino Unido, os fabricantes necessitam de financiamento e de um compromisso de longo prazo por parte dos compradores, de forma a justificar um novo aumento da produção. No entanto, mesmo que os benefícios do aprovisionamento local estejam a tornar-se aparentes para mais retalhistas e marcas, não parece fácil que este gotejar do regresso da produção têxtil ao Reino Unido se transforme numa enchente. «Este pode ser o início de uma nova tendência», afirma Flanagan. «Mas, não vou suster a minha respiração», conclui











