O Oficinas do Vestir nasceu há dois anos, em parceria com a Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa (APISAL), na freguesia de Arroios, em Lisboa, com o objetivo de sensibilizar crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo para a valorização e sustentabilidade do vestuário através de atividades práticas ligadas ao consumo de roupa, reparação, reutilização e multiculturalidade.
O projeto, financiado pelo Programa BIP/ZIP da Câmara Municipal de Lisboa e desenvolvido por investigadoras do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, integra oficinas práticas como a literacia do vestir, upcycling intergeracional, cocriação multicultural e armário de trocas, que abordam as relações funcionais, simbólicas, culturais e afetivas que são estabelecidas com o vestuário.
Segundo Graziela Sousa, investigadora e cofundadora do projeto, «as próximas gerações são aquelas em que devemos estar a apostar na educação para a sustentabilidade e na educação para a cidadania, para as questões de consumo, no sentido em que é nelas que vamos plantar uma semente para que, quando forem profissionais e consumidores, possam fazer melhores escolhas».

A dimensão intergeracional é assegurada em parceria com o projeto A Avó veio Trabalhar, da Associação Fermenta, através de atividades de upcycling e reparação de peças com recurso a bordado, tricô, crochê e pintura.
O armário de trocas, por sua vez, surgiu da vontade das crianças, docentes e famílias em criar um espaço de troca de vestuário na escola, tendo acumulado mais de 100 peças disponíveis para troca.
Com atividades também desenvolvidas em parceria com a Humana, que doou peças de vestuário e resíduos têxteis, e depois de colaborar com 111 crianças ao longo dos últimos dois anos, a equipa está a preparar a nova fase de expansão. «O nosso objetivo é que o projeto chegue a outras escolas e a outras cidades», afirma Graziela Sousa, referindo contactos já estabelecidos com outras escolas e o interesse em chegar ao norte do país, particularmente em territórios ligados à indústria têxtil. Para o verão deste ano, a equipa está já a preparar workshops para famílias e ações comunitárias.
A visão a longo prazo passa por «formular kits educativos e formar formadores», num modelo inspirado nas campanhas de separação de resíduos, como as da Lipor, que marcaram gerações. «Se fomos os primeiros a ensinar os nossos pais a separar o lixo, porque é que não podemos educar as crianças para eles mostrarem aos pais o quão importante é recuperar o que já temos, trocar e não comprar novo?», explica a investigadora.
Os dois anos do projeto são celebrados hoje, dia 15 de maio, com um desfile nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, onde 53 crianças envolvidas nas Oficinas do Vestir vão usar camisas personalizadas pelas próprias, a partir de 200 peças de deadstock doadas pela Zippy.





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