Inovação nacional recebe financiamento de €1,4 milhões

O financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian tem como objetivo permitir que a equipa de investigadores da Universidade de Coimbra desenvolva um protótipo industrial para reduzir o consumo de água e corantes no tingimento.

Projeto CirRe-Dyeing [©FCTUC - Sara Machado]

O projeto DyeLoop tem como objetivo reduzir a poluição e os custos da indústria têxtil através da recuperação e reutilização da água, corantes e aditivos utilizados no processo de tingimento.

«O projeto visa desenhar, otimizar o equipamento, trabalhar com indústrias portuguesas em toda a linha, tanto no desenvolvimento do equipamento, como no fabrico, como na testagem depois», explica, em declarações à Antena 1, Jorge Pereira, docente do Departamento de Engenharia Química (DEQ) e investigador no Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES), que lidera o projeto.

O DyeLoop tem por base uma tecnologia já desenvolvida pela equipa da Universidade de Coimbra no projeto CirRe-Dyeing, que envolveu investigadores do DEQ e do Instituto Indiano de Tecnologia de Madras (IIT Madras), que permite separar os corantes têxteis dos efluentes. «O objetivo é este: que a água seja recuperada e reintroduzida nos processos, reduzindo os custos de tratamento. Por outro lado, recuperar os corantes, reduzindo os custos de matéria-prima e também queremos ter um equipamento energeticamente eficiente, por isso acreditamos que este equipamento pode reduzir no mínimo 50% os custos atuais no processo de tingimento de têxteis», destaca o líder do projeto.

O protótipo industrial que a equipa pretende desenvolver terá uma unidade de tingimento idêntica às que se usam atualmente na indústria têxtil, que, por sua vez, vai estar integrada numa segunda unidade com um extrator para retirar o corante da água, indica Jorge Pereira ao Público.

Além disso, revela, o projeto, que terá a duração de três anos e um financiamento de 1,4 milhões de euros por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, vai possibilitar «desenvolver outras soluções que permitam, por exemplo, substituir os corantes sintéticos por corantes naturais, levar a trabalhar com indústrias da área da biotecnologia, das bio-refinarias marinhas ou mesmo da agricultura em substituição dos compostos químicos atualmente utilizados».

Como tal, reforça Jorge Pereira à Antena 1, «com tecnologias circulares, sustentáveis, estaremos na vanguarda da próxima geração da indústria têxtil».