H&M surpreende mercado

A Hennes&Mauritz, o segundo maior retalhista de vestuÁrio europeu, surpreendeu o mercado com notícias de que o comércio em Novembro foi mais fraco do que o esperado. A empresa cotada na Bolsa de Estocolmo revelou que as vendas do passado mês aumentaram 7% em relação a igual período do ano transacto. Contudo, em termos comparÁveis, que não contabiliza as novas lojas ou aquelas onde a Área foi aumentada, as vendas desceram 4% em relação a 2007. Este foi o quarto mês consecutivo em que as vendas comparÁveis desceram e foram piores do que a maioria dos analistas esperava. Foi também a primeira vez, durante o recente abrandamento do consumo, que a H&M falhou em cumprir as previsões da maioria dos analistas. As acções da H&M jÁ caíram 20% durante este ano. A H&M e a Inditex, a retalhista por detrÁs de cadeias como a Zara, foram apontadas como estando a lidar melhor com a crise do que as suas rivais, sobretudo devido à sua vasta abrangência mundial e porque operam num segmento de preços mais baixo no mercado. No entanto, tanto a Inditex (ver Sucesso sem crise) como a H&M ficaram abaixo das expectativas. A H&M não deu detalhes quanto às Áreas mais problemÁticas, mas acredita-se que a EscandinÁvia tenha sido um dos mercados com pior desempenho. A retalhista conta actualmente com 1.738 lojas em 33 países, um número superior às 1.522 de hÁ um ano atrÁs, e emprega 68 mil pessoas. No entanto, a empresa sueca afirma que vai continuar a aumentar o número de lojas a nível mundial, com um crescimento anual entre os 10% e os 15%. Recentemente, entrou em mercados como o Japão, Egipto e ArÁbia Saudita, mas a maior parte dos outlets estão a ser abertos na Europa e nos EUA. Programada estÁ jÁ também a abertura das primeiras lojas em Israel, para 2010, depois de ter assinado um acordo de franchising com a Match Retail Ltd. Os analistas na JPMorgan Securities afirmam, numa nota aos clientes, que na região nórdica, que representa cerca de um quinto das vendas da H&M, o mercado de vestuÁrio estÁ a sofrer com a concorrência intensa e de sobrecapacidade». Afirmam ainda que a H&M estÁ com boas performances no mercado mais alargado, tanto no Reino Unido, que representa cerca de 7% das vendas totais, como nos EUA, que representa 6% das vendas do grupo. E acrescentam que a marca sueca parece ter tido uma performance em linha com o mercado alemão – que representa um quarto das suas vendas – onde as vendas da indústria caíram 3% por mês. Na Alemanha, acreditÁmos que especialistas em moda jovem, como a H&M, estão a aguentar-se melhor do que as cadeias de moda masculina e as department stores. A H&M deve também beneficiar de uma actividade promocional bem organizada». Uma evidência do colapso no consumo na Alemanha veio da empresa detentora da Karstad, uma das principais cadeias de department stores do país. A Arcandor, que detém também 52% da Thomas Cook, revelou que a Karstad registou um prejuízo anual de 4 milhões de euros, depois de uma quebra de 3,4% nas vendas. Thomas Middelhoff, director-executivo da Arcandor, afirmou mesmo que as condições de comércio são as piores desde a II Guerra Mundial». Christian Nagstrup, analista no Jyske Bank da Dinamarca, refere que a H&M não foi imune e alguns dos seus maiores mercados não estão muito bem», até porque, como sublinha, a crise financeira estÁ a constranger os consumidores». As colecções da H&M são criadas por cerca de 100 designers que trabalham na empresa sueca, em colaboração com compradores e criadores de padrões. A empresa não detém unidades de produção, fazendo o seu aprovisionamento em cerca de 800 fornecedores independentes, a maior parte dos quais na Ásia e na Europa. Para 2009, a marca anunciou jÁ como novidade a parceria com o criador britânico Matthew Williamson (ver Nova parceria para H&M).