O Prémio de Excelência Empresarial que a Fortiustex venceu na categoria Exportação, afirma José Guimarães, administrador da empresa, «é sinal de que, na verdade, fomos competentes e mais do que os outros, embora não seja esse o nosso propósito» e surge como consequência natural de um trabalho contínuo. «Trabalhamos para atingir patamares de excelência que se concretizam numa empresa como a nossa, na exportação, porque 100% daquilo que fazemos é para criar valor e contribuir para que a economia portuguesa esteja mais confortável», resume.
Fundada em 2004, na sequência da falência de uma empresa comercial têxtil, a Fortiustex atravessou um período inicial marcado por dificuldades financeiras e operacionais. José Guimarães integrou o projeto em 2009, inicialmente como investidor e facilitador de negócios, vindo a assumir a totalidade do capital no final de 2013. «Não era possível continuar com um projeto que não era sustentável. Tinha prejuízos todos os anos», recorda.
A partir de 2014, já sob a sua administração direta, a empresa iniciou um processo profundo de reestruturação, com renovação da equipa e implementação de uma cultura empresarial orientada para resultados. «Foi reposto um modelo de cultura empresarial adequada, porque não havia grande cultura ou era inconsistente», explica. Nesse ano, a Fortiustex regressou aos resultados positivos, com cerca de 100 mil euros de lucro, sobre um volume de negócios de seis milhões de euros.
Desde então, o crescimento foi progressivo, interrompido apenas pela pandemia. Em 2019, a empresa atingiu os 10 milhões de euros, recuando para 6,5 milhões de euros em 2020, mas recuperando para 10,9 milhões de euros em 2021. O verdadeiro salto deu-se a partir daí: 20 milhões de euros em 2022, valor consolidado em 2023, e crescimento de 50% em 2024, para 30 milhões de euros, realizados na exportação – um desempenho que justifica o prémio agora atribuído.
Para José Guimarães, a triplicação do volume de negócios em apenas quatro anos justifica-se pela competência. «Temos uma equipa notável, muito focada nas soluções e na satisfação do cliente, quer na qualidade, quer no cumprimento de prazos», destaca. Apesar de a Fortiustex se posicionar no final da fileira, com forte dependência de terceiros, a empresa conseguiu diferenciar-se pela disponibilidade e capacidade de resposta.
Atualmente trabalha diretamente com marcas internacionais de segmento premium, sobretudo na Europa e nos EUA, sendo que, de forma indireta, a produção chega a mercados de todo o mundo. «São clientes muito exigentes, muito criativos, que nos obrigam a um trabalho árduo. Fazemos trinta, quarenta coleções, de quinze em quinze dias ou de três em três semanas», sublinha o administrador.
Em 2024, dois grandes clientes tiveram um impacto particularmente relevante no crescimento das exportações. «Foi a opção do cliente, em função da nossa competência, da nossa proximidade e do esforço que fazemos para o satisfazer plenamente», refere.
Com quatro empresas industriais, incluindo duas confeções e uma estamparia, que empregam cerca de 330 trabalhadores, dos quais 180 na Fortiustex, a empresa recorre ainda à subcontratação para responder à procura, «mas exclusivamente em território nacional», frisa José Guimarães.
Novos investimentos
O crescimento recente levou também à criação de uma nova unidade de acabamento, em Vila Nova de Famalicão, dedicada a operações como passar a ferro, controlo e embalagem. «O acabamento é mais difícil de encontrar no mercado, por isso decidimos criar uma empresa dedicada a essa fase», indica. A unidade já conta com 15 trabalhadores, com previsão de chegar aos 30.
Apesar de se tratar de uma atividade intensiva em mão de obra, a Fortiustex tem vindo a investir de forma seletiva na modernização dos seus meios produtivos. Em 2024, investiu cerca de 500 mil euros numa lavandaria industrial, novas máquinas de secagem, tratamento por ozono e equipamentos de corte tecnologicamente avançados. «O objetivo é ter os meios adequados e tecnicamente evoluídos para corresponder à exigência do processo», afirma.
A sustentabilidade é outra das prioridades, dentro das limitações impostas pelos próprios clientes, que definem as matérias-primas. Ainda assim, a empresa tem apostado na eficiência energética e na redução do impacto ambiental. «Cerca de 80% da energia elétrica é fornecida por painéis fotovoltaicos», revela José Guimarães, acrescentando ainda o uso de viaturas elétricas, a reciclagem sistemática dos desperdícios de corte e a otimização do consumo de água na lavandaria.
Para 2025, a Fortiustex prevê fechar o exercício entre 31 e 32 milhões de euros, num registo semelhante ao de 2024. Um sinal, segundo o administrador, de que o crescimento foi sustentado. «Já trabalhamos a 130% ou 150% da nossa capacidade. A estrutura não tem condições para ir muito além disso», admite, sublinhando que o mercado nacional também apresenta limitações ao nível da mão de obra disponível.
O futuro passa, por isso, por consolidar o posicionamento atual, mantendo flexibilidade e capacidade de adaptação. «Estamos num nível de excelência, tanto em quantidade como em qualidade. Os nossos clientes são de valor acrescentado», salienta.













