Economia circular ganha peso entre os americanos

As práticas circulares estão a ganhar expressão nos EUA, com um novo estudo a revelar que a maioria dos consumidores associa a compra e venda de artigos em segunda mão a poupança, criação de rendimento e reforço das ligações comunitárias.

[©Depop]

O relatório “Building Policy Pathways for a Circular Economy”, promovido pela Depop e Etsy, conclui que 90% dos norte-americanos apoiam soluções de economia circular depois de conhecerem melhor o conceito, ao mesmo tempo que identifica áreas em que os atuais enquadramentos políticos não refletem plenamente o funcionamento dos mercados de segunda mão.

A investigação revela ainda que 77% dos norte-americanos possuem vestuário de que já não necessitam, estimando-se que cada guarda-roupa contenha cerca de 400 dólares (cerca de 345,1 euros) em potencial valor de revenda.

Entre os participantes em práticas circulares, 92% afirmam que estas os ajudaram a poupar dinheiro, 80% referem que lhes permitiram obter rendimento adicional ou suportar despesas e 86% consideram que contribuíram para reforçar a ligação à comunidade.

O documento indica ainda que 80% dos norte-americanos manifestam um elevado interesse em adquirir artigos em segunda mão, usados ou vintage nos próximos 12 meses. Além disso, mais de três em cada cinco compras efetuadas na Depop evitaram a aquisição de um artigo novo, segundo um inquérito realizado pela plataforma junto de 3.759 utilizadores nos EUA, Reino Unido e Austrália.

«Na Depop, vemos em primeira mão como a revenda passou a fazer parte da vida quotidiana, desde pessoas que esvaziam os seus guarda-roupas até quem cria negócios e estabelece ligações com outras pessoas», afirma Peter Semple, diretor-executivo da Depop. «O que esta investigação evidencia é até que ponto estes comportamentos se tornaram generalizados. As pessoas já estão a encontrar formas práticas de obter mais valor a partir do que possuem, enquanto criam fontes de rendimento e comunidades em torno disso. Continua a existir uma oportunidade para tornar a compra e venda de artigos em segunda mão ainda mais fácil e acessível, para que se torne um comportamento padrão para ainda mais pessoas», acrescenta.

O estudo identifica igualmente áreas de política pública que poderão influenciar o desenvolvimento dos mercados de segunda mão. Entre elas estão a tributação sobre revendas, os requisitos de reporte fiscal aplicáveis aos vendedores em plataformas digitais, os custos logísticos e a necessidade de reforçar infraestruturas dedicadas à reparação e triagem de produtos.

«Foi com a convicção de que as pequenas empresas e os vendedores independentes merecem as ferramentas e as condições para prosperar que a Etsy foi criada. A economia circular já está a proporcionar oportunidades económicas reais a milhões de norte-americanos, ajudando as famílias a fazer render os seus orçamentos, a gerar rendimento e a construir comunidades. No entanto, demasiadas microempresas enfrentam requisitos de reporte e estruturas de custos que não foram concebidos a pensar nelas. Os decisores políticos têm a oportunidade de modernizar estes enquadramentos para que as regras reflitam a forma como os norte-americanos estão efetivamente a comprar e vender atualmente», sublinha Jeffrey Zubricki, diretor global de defesa e política pública da Etsy.

Recomendações

Entre as medidas propostas para análise por decisores estaduais e federais estão mecanismos de alívio fiscal para bens revendidos, redução proporcional dos custos de envio de artigos em segunda mão, ajuste dos limites de reporte fiscal para vendedores ocasionais, enquadramentos de responsabilidade alargada do produtor que excluam produtos revendidos e programas de financiamento destinados a pequenos negócios especializados em revenda.

Sydney Kamlager-Dove, membro da Câmara dos Representantes dos EUA, considera que «atualmente, o vestuário é produzido com materiais sintéticos e concebido para se desgastar rapidamente, sendo vendido a preços que não correspondem à sua qualidade. A economia da revenda oferece às pessoas acesso a bens de melhor qualidade e maior durabilidade, reduzindo simultaneamente os resíduos e enviando um sinal claro ao mercado. Isto é positivo para a economia, para as pequenas empresas e para o ambiente. Espero continuar a colaborar com a Etsy, a Depop e outras plataformas de revenda para levar estas questões ao debate político e promover soluções que reflitam aquilo que as pessoas já estão a exigir».

Nicole Malliotakis, também membro da Câmara dos Representantes, reforça que «a economia da revenda está a criar oportunidades para os norte-americanos pouparem dinheiro, obterem rendimento adicional e apoiarem as pequenas empresas», salientando que «a revenda proporciona opções acessíveis, incentiva a liberdade de escolha dos consumidores e apoia as oportunidades económicas».