Divórcios na moda nupcial

A Rosa Clará, a segunda empresa espanhola do sector em termos de volume de vendas (60 milhões de euros em 2009) foi pioneira na estratégia de unir a sua marca a nomes consolidados do design internacional. No início desta década, a empresa revolucionou a moda nupcial ao associar-se a Hannibal Laguna e Jesús del Pozo. Com uma estratégia de marketing bem definida, a empresa com 15 anos de trajectória, conseguiu posicionar a sua marca no mercado, dando resposta a um dos maiores desejos das consumidoras: a exclusividade. No entanto, é hoje mais uma das empresas do sector que decidiu abandonar as suas colaborações com estilistas de renome. Com efeito, a Rosa Clará anunciou que deixa de colaborar directamente com Karl Lagerfeld, tal como a Pronovias que vai dar por concluída a sua parceria com Valentino já no próximo mês de Dezembro. Esta última marca atingiu vendas de 140,88 milhões de euros em 2009 e, para além de Valentino, chegou a colaborar com Miquel Palacio, Elie by Elie Saab e a casa Ungaro. Outras empresas, como a Novissima, seguiram o exemplo e aliaram-se a criadores como Agatha Ruiz de la Prada, Devota&Lomba e Juan Duyos. Actualmente, segundo fontes da empresa, esta apenas mantém as licenças de Javier Larraínzar e Elio Berhanyer, «que propõem linhas comerciais». Falhas nas vendas e custos elevados são algumas das causas que levaram a uma mudança de estratégia por parte de muitas empresas-llíder do sector. Por outro lado, a gestão das colecções de várias marcas é complicada na medida em que obriga a criar espaços diferenciados dentro dos próprios estabelecimentos. Perante esta situação, a Pronovias desprendeu-se durante os últimos anos de todas as suas licenças. Com a finalização do contrato com Valentino, a empresa de Alberto Palatchi vai enveredar por uma nova etapa, centrando-se nas suas próprias marcas, entre as quais figura a do designer Manuel Mota, director criativo da Pronovias. A empresa espanhola mantém igualmente a licença Elie by Elie Saab, ainda que o criador tenha acabado de anunciar o lançamento da sua própria colecção de moda nupcial pronto-a-vestir. De igual forma, as empresas optaram por dar maior ênfase às suas marcas mais económicas. A Rosa Clará, por exemplo, centra grande parte do seu crescimento na rede de lojas Aire, especializada em vestidos de noiva a preços mais baixos. A Novissima, por seu lado, vai lançar uma nova marca, a Noname, que propõe vestidos de noiva a rondar os mil euros.